OCDE prevê crescimento de "6 a 7 por cento"

O secretário-geral da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico), Angel Gurría, disse hoje que “há um estímulo efectivo” no pacote de incentivos adoptado pela China, mas o “efeito maior” só deverá sentir-se em 2010.


“Prevemos, de facto, que o crescimento económico da China em 2009 se situe entre 6 e 7 por cento”, afirmou Gurría numa conferência de imprensa na delegação da Comissão Europeia em Pequim.

A previsão coincide com a que o Banco Mundial anunciou há dois dias (6,5 por cento), mas fica um ponto aquém dos “cerca de 8 por cento” preconizados pelo governo chinês.

Angel Gurría disse também que a economia chinesa já “provou ser muito resistente”, salientando que “um bom desempenho (económico) da China” em 2009 “terá um efeito positivo” na economia global.

“As nossas locomotivas tradicionais, como os Estados Unidos e o Japão, estão na oficina de reparações. Precisamos de novas locomotivas”, afirmou.

Angel Gurría precisou que as previsões económicas da OCDE só serão divulgadas dia 31 de Março, mas adiantou que o crescimento nos países membros da organização será “muito negativo”.

A OCDE, um fórum de consulta e debate económico constituído em 1960, com sede em Paris, reúne trinta países, mais de dois terços dos quais europeus.

Os outros países que fazem parte da OCDE são Austrália, Canadá, Japão, Coreia do Sul, México, Nova Zelândia, Turquia e Estados Unidos.

Num estudo que será divulgado no fim-de-semana em Pequim, a OCDE realça que o processo de transição da China para um sistema de economia de mercado “é uma das grandes histórias de sucesso dos tempos modernos”.

Pelas contas da organização, nas últimas três décadas, a economia chinesa cresceu em média 9,8 por cento ao ano, mais do que o Japão e a Coreia entre 1950 e 1980, considerados os dois “milagres económicos” do pós-II Guerra Mundial.

Mas a crise financeira global também afectou a China, abrandando o seu crescimento económico para valores até há pouco tempo impensáveis.

No último trimestre de 2008, a economia chinesa cresceu apenas 6,8 por cento, contra uma media de 13 por cento no ano anterior.

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