O gestor hoteleiro Nuno Leandro vai ser o presidente do novo conselho de administração da Visit Azores, a associação de promoção turística dos Açores, anunciou hoje a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral.
“Pretendemos revitalizar a associação Visit Azores, cujo novo conselho de administração integrará os empresários, na definição da estratégia promocional, que será presidida pelo gestor Nuno Leandro”, disse a governante no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, na cidade da Horta.
Berta Cabral, que falava durante um debate de urgência promovido pela bancada do PS (o maior partido da oposição nos Açores) sobre as políticas públicas de incentivo ao turismo, falava depois de, no dia 07, ter sido indicado o nome do administrador executivo da SATA Bernardo Oliveira para presidente da Visit Azores, cargo que iria assumir de forma “provisória”.
Segundo confirmou o próprio à agência Lusa na altura, não iria receber qualquer remuneração pelo exercício de funções na Visit Azores e vai manter-se como administrador executivo na SATA, onde é responsável pelas áreas comercial, marketing e comunicação.
A deputada socialista Marlene Damião justificou, no início da sua intervenção, que o debate de urgência proposto pelo seu partido pretendia dar voz às preocupações de cerca de 200 empresários do setor turístico dos Açores, que alertaram para os sinais de abrandamento na atividade e para “a falta de resposta do Governo Regional” de coligação PSD/CDS-PP/PPM.
“Estas preocupações não são isoladas! Os empresários, as associações e câmaras do comércio sentiram necessidade de vir a público manifestar o seu descontentamento, num sinal claro de que o setor não está a ser ouvido nem acompanhado como deveria”, insistiu a parlamentar socialista.
A redução da oferta aérea, agravada pela saída da companhia aérea Ryanair dos Açores, no final de março, a diminuição da competitividade do destino e a falta de execução em áreas essenciais como a promoção turística, ajudam a explicar o momento que o setor atravessa, na opinião dos deputados do PS.
A titular da pasta do Turismo nos Açores garantiu que o executivo açoriano, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, está a implementar as adaptações necessárias para proteger e dinamizar o setor turístico, face à atual conjuntura global.
De acordo com os dados estatísticos revelados por Berta Cabral, os Açores conseguiram materializar “com sucesso”, o crescimento do setor do turismo nas ilhas, registando 4,5 milhões de dormidas (mais 4,1% face a 2024), a somar a um “expressivo” aumento de 9,6% nos proveitos totais da hotelaria.
A bancada do PS socorre-se, no entanto, dos dados estatísticos do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), segundo os quais há uma quebra gradual de turistas nos Açores nos últimos sete meses, com especial impacto no setor do alojamento local, que estará a atravessar dificuldades.
Para o líder parlamentar do Chega, José Pacheco, a quebra na procura do destino Açores resulta, em parte, da “falta de estratégia para o turismo”, que os empresários estão agora a pagar.
“Quando o turismo estava bem, devíamos ter acautelado o futuro. Mas não é razoável que os açorianos aceitem que, por uma companhia aérea ‘low cost’ deixar de voar para os Açores, o turismo vai acabar”, afirmou.
O deputado do CDS Pedro Pinto alertou para a necessidade de ser feita uma análise séria e responsável do momento que o setor do turismo atravessa na região, mas manifestou desagrado pelo “oportunismo político” e “alarmismo desnecessário” que o PS causou ao levar o assunto ao parlamento.
Já Pedro Neves, do PAN, alertou para o alegado “excesso de turistas” na ilha de São Miguel, a maior dos Açores, na sequência do fim da operação da Ryanair, ao passo que João Mendonça, do PPM, entende que a alegada crise que o setor atravessa resulta também dos impactos negativos que os conflitos militares no Médio Oriente estão a ter na economia de vários países.
Rúben Cabral, da bancada do PSD, manifestou a confiança nas políticas de promoção do turismo dos Açores, da responsabilidade do Governo de coligação, lembrando que, mesmo sem a Ryanair, existem 16 companhias aéreas a voar para os Açores, num total de 30 rotas diferentes.
António Lima, deputado do BE, criticou a escolha de Bernardo Oliveira como administrador provisório da Visit Azores por considerar que podia configurar um possível “conflito de interesses” com o cargo na SATA.
Pedro
Ferreira, da Iniciativa Liberal, lamentou que o Turismo dos Açores
esteja à beira de um “colapso” por “falta de estratégia” do Governo
Regional e de um adequado investimento na promoção turística.
