Novo tratamento da diabetes previne perdas de memória


 

Lusa / AO online   Nacional   3 de Dez de 2007, 11:27

O tratamento precoce, e de modo mais eficaz, dos problemas de memória que advém do desenvolvimento da Diabetes, vai ser possível através de uma metodologia que investigadores da Universidade de Coimbra anunciaram esta segunda-feira.
Uma equipa de seis investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu uma nova metodologia que ajudará os médicos no prognóstico da Diabetes, possibilitando o tratamento antecipado dos problemas de memória que estão relacionados com o avanço da doença.

"Ao possibilitar o prognóstico da doença, esta metodologia permitirá a adopção de medidas preventivas atempadas por forma a travar o avanço da patologia, evitando danos irreversíveis ao nível cognitivo e, certamente, uma significativa redução nos custos arcados pelos doentes e pelos serviços de saúde", refere o coordenador do grupo, Rui de Carvalho, do Departamento de Bioquímica.

A investigação centrou-se no estudo dos mecanismos metabólicos da Diabetes utilizando ratos em laboratório. Tendo como marcador a Glucose, foi possível examinar todo o seu trajecto ao nível cerebral.

Rui de Carvalho referiu à agência Lusa que já se conheciam as disfunções de memória com a Diabetes, baseadas em testes comportamentais, mas não se conheciam os mecanismos do ponto de vista metabólico e a existência de disfunções, o que foi possível agora com recurso a uma técnica recente.

"Através da introdução de Glucose em organismos vivos, os investigadores examinaram todo o seu trajecto ao nível cerebral, ou seja, estudaram e avaliaram as várias transformações químicas registadas nas células, conseguindo determinar uma notória correlação de disfunções metabólicas cerebrais com os défices de memória na Diabetes", refere uma nota do gabinete de imprensa da FCTUC.

Para se atingirem tais resultados foi necessário o desenvolvimento de complexos estudos, empregando metodologia baseadas em isótopos estáveis (ausência de radioactividade), nomeadamente o Carbono 13 e a sua observação por Espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear, uma poderosa técnica não invasiva, acrescenta o documento.

O projecto de investigação desenvolve-se desde 2004 e foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Teve a colaboração de Rodrigo Cunha, da Faculdade de Medicina de Coimbra, que tem estudado a cafeína e os seus efeitos neuronais susceptíveis de prevenir o aparecimento da Alzheimer, que tem na perda de memória um dos seus sintomas e efeitos.

Este grupo de investigadores - segundo adiantou Rui de Carvalho à agência Lusa - vai prosseguir a investigação em torno da cafeína, com testes de consumo para avaliar que efeito terá para impedir esses défices cognitivos causados pela doença.

Esta nova linha de investigação, além de procurar uma metodologia preventiva ao aparecimento da doença, procura alternativas em termos de compostos ao tratamento tradicional que é feito com insulina.

Segundo Rui de Carvalho, os estudos de Espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear, que tiveram de ser realizados no estrangeiro, vão ficar em breve simplificados com a instalação de um equipamento no centro de ressonância magnética nuclear ligado aos Hospitais da Universidade de Coimbra e ao Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem (IBILI).

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