Novo máximo de homicídios e tentativas de homicídio nos Açores

Novo máximo de homicídios e tentativas de homicídio nos Açores

 

Luís Pedro Silva   Regional   21 de Out de 2008, 11:29

Dez casos de homicídio e quatro tentativas de homicídio aconteceram até  Outubro de 2008, constituindo um novo recorde de criminalidade violenta contra a vida. A maioria dos crimes aconteceu por questões passionais, um problema que está “enraizado na cultura”,  defende sociólogo
Independentemente do que acontecer até Dezembro, o  ano de 2008 já ficará para a história do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária de Ponta Delgada como  aquele em que se registou um novo máximode homicídios e tentativas de homicídio na Região.
Segundo os dados divulgados pela Direcção Nacional da Polícia Judiciária ao Açoriano Oriental, foram cometidos dez homicídios e quatro tentativas de homicídio nos Açores, um número que representa um novo máximo na criminalidade mais violenta contra as pessoas.
Este ano,  seis dos  dez crimes mortais,  aconteceram por motivos passionais, ou seja, cinco mulheres e um homem foram mortos num contexto de violência doméstica ou devido ao sentimento de posse, segundo explicam as associações de apoio às vítimas.
O sociólogo Miguel Brilhante considera que poderá existir neste género de crimes um problema cultural no momento da separação levando os agressores a pensar que “se a minha mulher não for minha não será de mais ninguém”.  “É uma perspectiva cultural que está enraizada nos Açores”, constata o sociólogo.
Miguel Brilhante alerta que as ameaças de morte “actualmente devem ser levadas a sério pelas autoridades”.
Apesar do aumento dos casos de homícidio as situações verificadas ainda estão dentro da média nacional, em áreas geográficas semalhantes.
Segundo os dados da PJ, entre 2004 e Setembro de 2008, ocorreram 44 homicídios nos Açores e 13 tentativas de homicídio.
Os casos de homicídio nos Açores correspondem a 4,33 por cento dos crimes ocorridos em Portugal, enquanto a taxa de tentativa de homicídios  representa 1,02 por cento dos crimes a nível nacional.
O  Açoriano Oriental  mais apurou que apenas os departamentos de investigação criminal da Polícia Judiciária em Portimão, Guarda e Funchal registaram menos casos de homicídio.
Os dados disponibilizados pela Polícia Judiciária, contabilizando as directorias e departamentos de investigação criminal,  indicam que desde 2004 a Setembro de 2008, ocorreram 253 homicídios em Lisboa, 166 no Porto, 128 em Setúbal, 74 em Leiria, 63 em Coimbra, 59 em Braga, 54 em Aveiro, 54 em Faro, 44 em Ponta Delgada, 40 em Portimão, 38 na Guarda e 35 no Funchal.
Relativamente ao crime de tentativa de homicídio, no mesmo período de tempo, foram contabilizados 284 casos no Porto, 271 em Lisboa, 139 em Braga, 136 em Setúbal, 112 em Coimbra, 87 em Faro, 68 em Aveiro, 64 na Guarda, 39 em Leiria, 27 em Portimão, 26 no Funchal e 13 em Ponta Delgada..
Focos de comportamento violento
De acordo com o  sociólogo Miguel Brilhante  a prática de homicídio em Portugal continental e ilhas poderá estar associada “ao culto da justiça pelas próprias mãos”.
“As pessoas encaram a Justiça em Portugal como sendo morosa e com penas desajustadas às realidades existentes, motivando as pessoas a assumir actos mais violentos”.
Miguel Brilhante considera ainda que os Açores estar a deixar de ser uma região “pacata e segura”, optando por destacar “a qualidade de vida existente”.
“Nós estamos perante um processo de desenvolvimento agressivo que desencadeia em paralelo outros problemas sociais, que necessita de medidas de controlo social, para não se desenvolveram sociedades mais violentas”, afirma.
O sociólogo não coloca a região “num quadro de risco”, mas salienta que existem “focos com alguma expressão de comportamentos violentos”, concluiu.

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