Açoriano Oriental
Muitas pessoas ainda cumprem tradição nos Açores e compram árvores de Natal naturais

Ainda são muitas as pessoas que vão ao Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, nos Açores, para comprar a tradicional árvore criptoméria, que alimenta o Natal com o seu aroma e rivaliza com as árvores artificiais.


Autor: Lusa/AO Online

Semelhante a um pinheiro, a criptoméria é mais dispendiosa do que uma árvore artificial, mas muitos açorianos preferem manter a tradição e ter uma árvore de Natal natural em casa.

Vendedor de árvores de Natal há 50 anos, Álvaro Oliveira, de 63, natural das Sete Cidades, na ilha de São Miguel, é testemunha dessa preferência dos açorianos e diz que nunca perdeu um ano de vendas.

Os seus olhos iluminam-se ao evocar os tempos em que aquela emblemática praça de Ponta Delgada, situada junto ao Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, ficava rodeada de várias centenas de árvores.

Álvaro Oliveira assistiu ao apogeu do negócio de venda da criptoméria, quando se “vendiam milhares de árvores”, até que as artificiais introduziram um novo paradigma.

Mas a venda das naturais persiste e o negócio promete continuar já que conta com o empenho do seu filho, que o auxilia desde os 9 anos.

Álvaro Oliveira recordou que chegou a ter, “nos bons tempos, nove ou dez lugares de venda de árvores” espalhados pela cidade de Ponta Delgada.

“Ainda vem muita gente comprar aqui a árvore de Natal de criptoméria, que começa nos 25 euros e pode atingir os 100 euros, dependendo do exemplar”, disse à Lusa, recordando o tempo em que não havia abrigos para se proteger da chuva, do vento e do frio e se “dormitava por entre as árvores”.

Hoje, pernoitam no Campo São Francisco em abrigos fornecidos pela Câmara Municipal de Ponta Delgada, equipados com eletricidade.

O vendedor salvaguarda que “são geralmente sempre as mesmas pessoas que procuram a árvore de Natal de criptoméria porque gostam do natal tradicional”.

Além da árvore, os amantes do Natal tradicional compram também o musgo, a madeira, as pedras embelezadas e o farelo (madeira triturada e pintada de várias cores).

São todos ingredientes indispensáveis nos presépios, juntando-se aos bonecos de barro com as figuras típicas de Natal, como o menino Jesus, Maria e José, a par dos animais e reis magos, bem como figuras tradicionais a retratarem a sociedade açoriana na sua perspetiva social e cultural.

A família de Evaristo Carvalho também não deixou cair a tradição das vendas de criptomérias no Campo de São Francisco na época do Natal.

Natural das Sete Cidades, o vendedor disse à Lusa que os lucros “não pagam o frio e chuva”, mas admitiu que este negócio “está no sangue”.

“Se eu tirar as minhas férias e trabalhar como pedreiro dá mais certo do que isto, mas este negócio está no sangue e, quando chega a dezembro, o Natal não é a mesma coisa sem esta presença”, afirmou Evaristo Carvalho.

O vendedor admitiu que esta é também uma “fonte de receita extra nos dias difíceis que correm” e que sempre ajuda “para se comprar mais alguma coisinha para o Natal”.

Maria de Deus, natural do Nordeste, é uma cliente habitual do Campo São Francisco no Natal porque “para lembrar a quadra não há como o cheirinho da árvore de criptoméria”.

Para João Carvalho, que também costuma ir àquela praça comprar árvores naturais, além de cumprir uma tradição natalícia, esta é “uma forma de contribuir financeiramente para os vendedores” num cenário de dificuldades devido à inflação e combustíveis elevados.

Até 24 de dezembro, centenas de pessoas vão dirigir-se ao Campo São Francisco em busca da árvore de criptoméria, na esperança de alegrar o seu natal com aroma, mas há também aqueles que se dirigem ao local por este ser um ‘spot’ do Natal.


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