Zimbabué

Morgan Tsvangirai participa na cimeira de 2ªfeira

Morgan Tsvangirai participa na cimeira de 2ªfeira

 

Lusa/AOonline   Internacional   24 de Out de 2008, 11:47

O líder da oposição do Zimbabué, Morgan Tsvangirai, participará na cimeira regional de segunda-feira, em Harare, garantiu à Agência Lusa o porta-voz do dirigente, advertindo que, no caso de fracasso, exigirá a realização de novas eleições.
Contactado pela Lusa, a partir de Lisboa, George Sibotshiwe garantiu que o dirigente da maior facção do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) estará presente na cimeira de segunda-feira, depois de ter boicotado o encontro anterior para protestar contra os entraves administrativos do regime zimbabueano que impediram a presença de Tsvangirai no encontro.

    Questionado sobre a posição do MDC caso as negociações de segunda-feira fracassem, o porta-voz de Tsangirai garantiu que se não houver acordo o dirigente do MDC exigirá a realização de novas eleições.

    Por sua vez, o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa, disse à agência noticiosa francesa AFP esperar "que o encontro permita concluir a partilha de poder".

    "Esta tribuna dá-nos a oportunidade de apresentar a nossa posição sobre a distribuição justa dos principais ministérios", adiantou, acusando o partido no poder, União Nacional Africana do Zimbabué - Frente Patriótica (ZANU-PF), "de não ser sincero relativamente ao acordo de partilha de poder", assinado a 15 de Setembro último.

    Tsvangirai não assistiu, segunda-feira, à reunião do órgão de política e segurança da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), que deveria ter sido presidida pelo actual presidente, o rei Mswati III da Suazilândia, e que acabou por não se realizar depois do líder do MDC se ter recusado viajar até Mbabane por não ter recebido um passaporte para o efeito.

    Sem tomar posição oficial acerca da mini-cimeira abortada, a SADC apenas anunciou que as negociações sobre a composição do governo de unidade nacional seriam retomadas na próxima segunda-feira, em Harare.

    Mas o Botsuana classificou o comportamento do regime do Presidente do Zimbabué "infeliz, totalmente inaceitável e uma indicação de má-fé".

    O porta-voz de Mugabe, George Charamba, disse entretanto que Tsvangirai não possui um passaporte válido porque não renovou o documento que expirou em 2007 e que o governo não tem papel do tipo utilizado no fabrico de passaportes em consequência das sanções impostas pelo Ocidente.

    A crise política no Zimbabué nasceu da derrota histórica do regime nas eleições gerais de Março de 2008.

    Tsvangirai venceu a primeira volta das presidenciais zimbabueanas, a 29 de Março deste ano, quando o MDC conquistou também a maioria no parlamento, pela primeira vez desde que a ZANU-PF de Mugabe ocupou o poder em 1980.

    O líder do MDC acabaria por abandonar a corrida antes da segunda volta das presidenciais, afirmando que os níveis de violência orquestrada pelas forças de segurança do Zimbabué inviabilizaram eleições livres.

    O chefe de Estado, de 84 anos e no poder desde 1980, e Tsvangirai assinaram a 15 de Setembro um acordo de partilha do poder, prevendo que o primeiro continue Presidente e o segundo se torne primeiro-ministro.

    Ao abrigo do acordo, as duas facções do MDC têm direito a mais uma pasta ministerial do que a ZANU-PF mas Mugabe nomeou unilateralmente dirigentes do seu partido para as pastas mais importantes, designadamente a Administração Interna e a Defesa, o que suscitou o repúdio do MDC.

    Mugabe e o seu partido, a ZANU-PF, insistem em reter a maioria dos mais importantes Ministérios do futuro governo, como a Defesa e a Administração Interna, enquanto o MDC defende que o controlo das forças de segurança e da polícia não pode ficar nas mãos daqueles que esmagaram a democracia no país e que, a bem da transformação, deverá ser o MDC a deter aquelas pastas no executivo para preparar as próximas eleições livres e democráticas que legitimarão futuros governos e presidentes.

    O partido de Tsvangirai exige controlar as forças de segurança e a polícia, responsáveis pela supressão dos direitos democráticos dos zimbabueanos ao longo dos 28 anos de governação da ZANU-PF, para que as reformas democráticas sejam realizadas.

    Das pastas mais importantes do executivo de unidade apenas a economia foi atribuída ao MDC, com o acordo de Mugabe.

    O Zimbabué, que já foi a segunda economia mais dinâmica da região, está a braços com a maior crise de todos os tempos, que originou a mais alta taxa de inflação do mundo, a rondar os 231 milhões por cento ao ano.

    Mais de 80 por cento da actividade económica do país paralisou e o mercado sofre carências crónicas de bens essenciais, combustíveis e moeda estrangeira.

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