PS/Congresso

Moção quer partido capaz de se renovar e com foco no desenvolvimento económico

Uma moção setorial do eurodeputado Bruno Gonçalves defende que o PS tem que se renovar, inovar e refletir sobre um horizonte além do curto prazo já tem uma “liderança estável”, colocando o desenvolvimento económico no centro da agenda política



Em declarações à agência Lusa, o socialista Bruno Gonçalves deu conta das linhas gerais da moção setorial da qual é o primeiro subscritor, intitulada “Portugal, o terceiro maior país europeu”, que será levada ao 25.º Congresso Nacional deste fim de semana, em Viseu, e que tem entre outros nomes que a assinam os ex-ministros Fernando Medina, Ana Catarina Mendes, Ana Mendes Godinho e João Costa.

“Eu acho que, sistematicamente se tem dito ao longo dos últimos meses, que é preciso dar tempo, que é preciso tempo para reconstruir. Acho que o tempo é agora e é preciso tempo para nós decidirmos, pensarmos e, sobretudo, dizermos com clareza aos portugueses o que é o PS e que casa é que encontram no PS”, defendeu.

O objetivo desta moção é “recentrar o PS e colocar o desenvolvimento económico como centro da agenda do PS”, de acordo com o socialista.

“E quer, sobretudo, um PS que é capaz de se renovar e é capaz de inovar, seja tanto nas políticas públicas que propõe como nos protagonistas que apresenta à sociedade”, apontou.

Na perspetiva de Bruno Gonçalves, “esta moção, mais do que uma ode à inovação, é uma ode ao desenvolvimento económico como o grande centro da agenda política do PS”.

“Em vez de olharmos para a grande reflexão ou pequena reflexão que o PS deve fazer momentaneamente em função dos resultados, a grande reflexão que nós estamos convocados é para o custo da habitação quando os jovens não podem comprar a casa, é para o tempo de espera na saúde quando os idosos se desesperam para ter um Serviço Nacional de Saúde que lhes responda às suas necessidades e é quando os jovens saem do país à procura de um futuro melhor que não conseguem encontrar em casa”, defendeu.

Segundo o texto da moção, atualmente “com uma liderança estável, o PS tem condições para refletir sobre um horizonte político que ultrapasse dinâmicas de curto prazo”.

“Nós apontamos na moção que a liderança estável vem com uma responsabilidade acrescida que é de olhar para o futuro. Tudo que seja menos do que isso é faltar à nossa responsabilidade”, considerou o socialista, esperando que esta moção sirva à direção nacional de inspiração “para juntar à sua própria” porque o PS não tem tempo “nem para perder, nem para falhar”.

Na moção, pode ler-se que "estruturar uma visão para o futuro é, por isso, uma tarefa prioritária".

"Sem este trabalho, o partido arriscar-se-ia a aceitar um acantonamento por defeito num dos polos do seu campo político. Fosse como líder das esquerdas ou como centrista, ambas as vias comportariam uma rigidez limitadora da autonomia estratégica do PS. Seria esquecer esse princípio fundamental que Mário Soares sempre exerceu", avisam.

Para o eurodeputado socialista, enquanto um “partido social-democrata convicto”, o PS não pode deixar de refletir sobre “um Estado melhor", não devendo “deixar sequer que a direita fique com o monopólio da ideia da eficiência do Estado”.

Segundo Bruno Gonçalves, é preciso “combater o flagelo da imigração jovem” e fazer com que “os mais jovens se sintam em casa em Portugal” com “melhores salários, melhores condições de vida, maior capacidade de desenvolver a sua própria liberdade individual”.

“Se os Estados Unidos olhavam para a Lua como grande referencial, os portugueses entendem bem como nós devemos olhar para o mar e é aqui que devemos criar um novo ‘hub’ azul”, propõe, defendendo que se olhe para a biotecnologia, para a robótica marinha e para os materiais raros.

Entre os nomes que assinam o texto estão ainda vários presidentes de Federação (Vila Real, Braga, Aveiro, Bragança, Açores, Setúbal ou Santarém), além dos jovens e ex-deputados Joana Sá Pereira, Tiago Soares Monteiro e Pedro Anastácio.

 


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