"Existiram algumas decisões muito importantes de grupos maiores que passaram pela importação de mão-de-obra de alguns países de língua oficial portuguesa e que tiveram um efeito engraçado: é que essas pessoas ao virem para a Madeira trouxeram outras e acabaram por servir não só as unidades dos grupos (hoteleiros) que as trouxeram, mas trazendo outras para a restauração e para oferta de serviços turísticos", afirmou Eduardo Jesus à Lusa.
Ainda que a escassez de mão-de-obra, nomeadamente no setor que tutela, não tenha afetado tanto a Madeira como o continente, Eduardo Jesus admite que ainda há o que fazer neste tema, até para manter a qualidade da oferta do destino.
"A Madeira não tem e não teve restaurantes fechados por falta de mão-de-obra. Quer dizer, não chegámos a esse ponto. Agora, é verdade que o serviço sai prejudicado quando não temos a estrutura de oferta de mão-de-obra adequada. Portanto, admito que, acima de tudo, para não prejudicar a qualidade do serviço na Madeira tem que haver um reforço" de trabalhadores, afirmou à Lusa.
Sublinhando que a região não se debate com "o mesmo problema que se colocou no Algarve, nos Açores, ou mesmo em Lisboa, onde ainda hoje em dia se nota grupos que têm várias unidades em que há sempre uma que está mais prejudicada porque estão a salvaguardar as outras - e isso na Madeira não aconteceu - é um problema com que nós temos que lidar", admite.
E uma das formas de captar e reter trabalhadores é remunerando melhor.
"Se não houver meios que garantam melhores ordenados ao setor é difícil reter as pessoas", disse, para de seguida apontar o caso de dois grandes grupos hoteleiros da região que subiram os salários praticados.
"Isto é um excelente sinal porque durante todo o processo pandémico houve muita alteração no mundo laboral, muitas das pessoas que saíram do setor encontraram maior flexibilidade e outra facilidade de rendimentos. Comodidade no trabalho. E é muito difícil recuperar essas pessoas se não houver uma rentabilidade para elas bastante superior ao que tinham", sublinhou Eduardo Jesus.
Motivo pelo qual a gestão do setor também definiu como prioridade para o turismo a manutenção de preços, maiores ganhos de rentabilidade das empresas.
"Portanto, eu diria que estamos melhor neste momento do que em 2022 e estes anúncios sobre as remunerações são cenários para uma leitura bastante positiva no que diz respeito à expectativa - que é legítima - dos trabalhadores do setor", concluiu o secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira.
