Manuel de Oliveira distinguido diz que ainda lhe falta fazer muitos filmes


 

Lusa/AO On Line   Nacional   10 de Dez de 2010, 05:46

A poucos dias de completar 102 anos, o cineasta Manoel de Oliveira garante ainda ter muitos filmes para realizar e projetos que “têm de ser feitos”, antes “de passar desta para a outra”, como ‘A Ronda da Noite’, de Agustina Bessa-Luís.

“Tenho vários projetos que têm de ser feitos. Uma ideia que gostava de filmar é o quadro ‘A ronda da noite’ que é [também] o último livro de Agustina Bessa Luís”, salientou Manoel de Oliveira, à margem da exibição na noite de quinta-feira, no Porto, da sua curta-metragem “Painéis de São Vicente de Fora, Visão Poética”.

O realizador destacou que “não gostava de passar desta para a outra sem” realizar esse filme mas que o quadro de Rembrandt, e livro de Agustina, não será o próximo até porque, frisou, tem “outras [ideias] à frente”.

Aos 101 anos, o mais velho realizador do mundo assegura que a energia que vai tendo é a que recebe “lá dos astros”, desconhecendo o tempo que terá ainda disponível.

“Mas não tenho pressa”, brincou.

Sobre o 102.º aniversário, que comemora no próximo sábado, Manoel de Oliveira diz que nem sabe se lá chegará e que se o conseguir “é uma sorte”.

Questionado sobre as suas duas longas-metragens em fase de financiamento, respondeu: “Só dois? Não. Eu ainda quero fazer mais”.

Na noite de quinta-feira, o auditório da Fundação de Serralves foi pequeno para acolher todos os que queriam assistir à curta-metragem de Manoel de Oliveira sobre os painéis de São Vicente de Fora.

O cineasta explicou que a ideia de fazer este filme nasceu das “duplas figuras de São Vicente” naquele políptico em que numa “o livro [bíblia] aparece aberto e na outra está fechado”.

A curta-metragem de 16 minutos reflete a interpretação pessoal do realizador sobre os painéis do século XVI que representam a sociedade portuguesa na altura dos descobrimentos.

Para Manoel de Oliveira, simbolizam ainda um “apelo à paz humana


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