Migrações

Mais de 70 migrantes morreram no mar enquanto tentavam chegar às Canárias

Mais de 70 pessoas, incluindo um bebé, morreram num pequeno barco que partiu da Gâmbia em direção às ilhas Canárias com 128 pessoas a bordo, disseram as autoridades espanholas e uma organização não-governamental (ONG)



A embarcação foi resgatada esta madrugada, depois de 26 dias à deriva no mar, com apenas 44 sobreviventes e cinco corpos a bordo, avançou a agência de notícias EFE, citando dados do Serviço de Resgate Marítimo espanhol.

O barco foi localizado por uma das aeronaves do Serviço de Resgate Marítimo na quarta-feira, pelas 18:40 (mesma hora em Lisboa), a 120 quilómetros da Grande Canária, e recebeu assistência do navio "Guardamar Urania" durante a madrugada.

O navio de resgate foi obrigado a abandonar os cinco corpos a bordo devido ao mar agitado e à necessidade urgente de prestar assistência médica aos sobreviventes.

"Estavam como cadáveres ambulantes, como ‘zombies’. Estavam a desmaiar, incapazes de manterem-se em pé. A maioria estava a alucinar. Alguns até nos tentaram agredir", disse um dos socorristas à EFE.

Os marinheiros do navio de resgate contabilizaram cinco mortos a bordo da embarcação, todos homens, mas não descartaram a possibilidade de haver mais, pois ainda estava escuro, o fundo da embarcação estava alagado e as ondas batiam constantemente contra o casco.

A ONG espanhola Caminando Fronteras afirmou que a Guarda Civil confirmou que o barco tinha inscrições no casco que correspondem a uma embarcação que, segundo os seus registos, partiu da Gâmbia em 07 de agosto com 127 ocupantes, incluindo quatro mulheres e um bebé.

Estes números coincidem com o testemunho dos sobreviventes, que disseram à Cruz Vermelha, durante o socorro prestado no cais de Arguineguín, que tinham partido para as Canárias "com mais de uma centena de pessoas", muitas das quais morreram durante a travessia.

Durante o regresso do "Guardamar Urania" à Grande Canária, o Serviço de Salvamento Marítimo teve de enviar um helicóptero para transportar três sobreviventes para hospitais em Las Palmas devido ao precário estado de saúde.

Os restantes chegaram a terra pelas 03:30, exaustos e mal conseguindo estar de pé. Segundo informações iniciais, ainda provisórias, os sobreviventes são todos homens da Gâmbia e do Mali.

O serviço de emergência das Canárias disse que seis deles foram hospitalizados com desidratação e desorientação, assim como sintomas de ingestão de água do mar. Além disso, dois dos internados apresentavam outros ferimentos.

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