Segundo o barómetro 'Corporate Vehicle Observatory', que analisa 16 países em todo o mundo, incluindo Portugal, as empresas portuguesas vão reduzir a compra de carros para as suas frotas, em contraste "com a perspetiva das suas congéneres europeias".
Rui Duarte Silva, responsável pelo estudo e quadro da Arval, refere que "existe uma grande fatia [60 por cento] de empresários portugueses a dizer que vão diminuir a sua frota de automóveis nos próximos três a quatro anos".
De acordo com o estudo, que pretende antecipar e divulgar as principais tendências na gestão de frotas automóveis empresariais, o aluguer operacional irá aumentar a sua taxa de penetração, mantendo-se como a opção de financiamento preferencial das grandes empresas (44 por cento) em Portugal e na Europa.
Para Rui Duarte Silva, o método de financiamento de aluguer operacional "permite uma maior elasticidade", embora seja difícil prolongar contratos devido ao mercado de usados "que vai continuar a diminuir nos próximos anos".
O barómetro refere, no entanto, que o 'leasing' financeiro continua a ser o método de financiamento mais utilizado pelas empresas portuguesas (45 por cento).
"Confirmam-se as previsões de crise no setor automóvel, nos próximos anos, em Portugal, contrastando com a tendência de crescimento do resto da Europa, prevendo-se, neste cenário, um aumento da taxa de penetração do aluguer operacional ('renting') embora o 'leasing' financeiro ainda seja o método de financiamento mais popular em Portugal", refere o documento.
De acordo com o estudo, "o difícil contexto económico leva a uma leitura mais pessimista em relação à dimensão das frotas", confirmando-se as previsões de uma redução, "nomeadamente no que diz respeito às médias e grandes empresas onde 17 por cento dos decisores nacionais apontam para uma redução das frotas, enquanto 7 por cento dos congéneres europeus esperam um crescimento das mesmas".
De acordo com o barómetro deste ano, 11 por cento das médias e grandes empresas portuguesas e 18 por cento das europeias já utiliza a telemática para gestão da frota. Em Portugal, mais de 50 por cento das empresas utilizadoras de telemática fazem-no com o objetivo de reduzir os custos com combustível enquanto que quase 50 por cento dos decisores europeus tem como principal motivação a geolocalização das viaturas.
O documento refere ainda uma redução do interesse nos veículos elétricos tanto em Portugal como na Europa, considerando que a política de frota das empresas a operar em Portugal e na Europa, "parece não ter espaço para os veículos elétricos, ao observar que apenas 10 por cento das micro/pequenas identifica áreas onde poderá utilizar os elétricos, enquanto que no caso das médias/grandes empresas nacionais, a relevância dos carros elétricos desce dos 51 por cento para os 19 por cento".
Rui Duarte Silva adianta que, face à crise, o carro elétrico "passou a ter um desinteresse generalizado".
O estudo, realizado em 16 países no primeiro trimestre deste ano, envolveu empresas de todas as indústrias que utilizam veículos corporativos e foram realizadas 4.823 entrevistas telefónicas.
