A decisão foi tomada depois de um bote insuflável ter chegado à costa de Folkestone na manhã de segunda-feira, marcando a primeira chegada não detetada em mais de um ano, sendo seguida de um incidente semelhante no dia seguinte.
De acordo com os registos do Ministério do Interior britânico, antes deste incidente, nenhum barco de migrantes chegava à costa do Reino Unido sem escolta desde o dia 06 de setembro de 2025.
Normalmente, as embarcações que cruzam o Canal da Mancha são detetadas a meio do percurso pela Guarda Costeira francesa ou britânica, ou por navios de resgate, que depois escoltam os migrantes em segurança até ao porto de Dover.
Neste caso, o bote conseguiu contornar os radares, os drones de vigilância e a frota de patrulha, alcançando a praia sem qualquer controlo das autoridades.
Em comunicado, a ministra descreveu as travessias não detetadas das duas pequenas embarcações como “inaceitáveis” e lembrou que “a vigilância reforçada tornou as travessias sem controlo extremamente raras”.
Ainda assim “uma já era demais”, disse, adiantando que ordenou a realização de uma investigação urgente sobre as circunstâncias do incidente e as medidas necessárias “para garantir que isto não se repete”.
Segundo Shabana Mahmood, “os traficantes de pessoas estão a organizar travessias ilegais com novas táticas” e a “levar os migrantes em viagens cada vez mais longas e perigosas para chegar à costa do Reino Unido”.
O Comando de Segurança de Fronteiras deteve, até agora, 21 pessoas após a chegada da embarcação à praia de Samphire Hoe, em Dover.
As travessias do Canal da Mancha em embarcações improvisadas começaram em 2018, sendo que, este ano, já foram registados vários recordes de pessoas resgatadas ou a bordo de pequenos botes.
No início de agosto, as equipas britânicas registaram a chegada de 752 migrantes irregulares através do Canal da Mancha, que era, até agora, o número recorde de chegadas num único dia.
O recorde histórico de entradas irregulares através do Canal da Mancha é de 1.305 pessoas, verificado no início de setembro de 2022.
O número acumulado de migrantes que cruzaram, este ano, o Canal da Mancha em pequenas e precárias embarcações supera as 13.300 pessoas, embora este indicador represente uma queda de cerca de 45% em comparação com o mesmo período de 2025.
O Reino Unido e França têm um acordo de devolução mútua de migrantes (“one in, one out”), que está em vigor até outubro, e que implica que os migrantes sem documentos que cruzem o Canal da Mancha a partir da costa francesa sejam devolvidos a França desde que, em troca, o Reino Unido acolha, através de rotas legais, outro refugiado ou requerente de asilo que se encontre em solo francês.
O objetivo deste acordo, adotado no ano passado pelo então primeiro-ministro britânico Keir Starmer e pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, visa combater as redes de tráfico humano, demonstrando aos migrantes que a travessia irregular resultará no seu regresso imediato a França, e que existem vias legais e seguras para entrar em território britânico.
A maior parte dos migrantes que cruzam o Canal da Mancha em pequenas embarcações provém de países marcados por conflitos armados ou regimes autoritários, como a Eritreia, o Afeganistão, o Sudão, o Irão ou a Somália.
