Lavrov marcará presença em Nova Iorque durante presidência russa do Conselho de Segurança

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, estará este mês em Nova Iorque para presidir a dois debates sobre multilateralismo e Médio Oriente, no âmbito da presidência russa do Conselho de Segurança da ONU, anunciaram fontes oficiais.



A Rússia assumiu no início de abril a presidência mensal rotativa do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), tendo anunciado dois eventos durante a sua liderança: um debate aberto dedicado ao tema “Riscos derivados de violações dos acordos que regulam a exportação de armas e equipamentos militares”; e um debate de nível ministerial, presidido por Lavrov, sob o título “Multilateralismo eficaz através da defesa dos princípios da Carta da ONU”, que contará com um ‘briefing’ do secretário-geral da organização, António Guterres.

A par de participar no debate sobre o multilateralismo, agendado para 24 de abril, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo vai presidir ao debate trimestral sobre a situação no Médio Oriente, com foco na questão da Palestina, no dia 25.

O programa para o mês de abril foi apresentado hoje pelo embaixador russo junto da ONU, Vasily Nebenzya, que abordou as críticas que lhe foram dirigidas por países ocidentais por assumir a presidência rotativa do Conselho de Segurança.

"Alguns países pensam que podem decidir o funcionamento do Conselho de Segurança, mas não lhes cabe a eles decidir", afirmou Nebenzya.

O diplomata russo avaliou ainda que as tentativas de impedir a sua presidência são "sinais de desespero que não afetarão" o seu trabalho e garantiu que a sua missão não abusará das "prerrogativas como presidente do Conselho".

Na conferência de imprensa de hoje para apresentar o seu programa, Nebenzya foi ainda questionado sobre "se tinha pesadelos" com uma possível guerra nuclear.

"Sobre a guerra nuclear, durmo bem, porque sei que, pelo menos nós, não estamos a pedir uma guerra nuclear. Não estamos a ameaçar com a guerra nuclear. Toda essa narrativa de que a Rússia está a ameaçar o mundo com armas nucleares também faz parte da propaganda", disse.

"Há muito tempo que dizemos consistentemente que isso não está na nossa doutrina militar, que prevê pouquíssimos casos em que as armas nucleares podem ser empregadas. E essa definitivamente não é a situação que está na nossa doutrina nuclear", acrescentou.

Sobre a deslocação de Lavrov aos Estados Unidos, Vasily Nebenzya não descartou um encontro entre o ministro russo e o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, se este o solicitar.

"Acho que depende de dois fatores: o primeiro, onde Blinken estará naquele momento; e da sua capacidade e vontade de se encontrar com o nosso ministro (...). Se o secretário Blinken quiser fazer uma reunião, é claro que a ocasião será proporcionada", frisou.

"A Rússia nunca foge de reuniões com quem as solicita", acrescentou Nebenzya.

O programa da presidência russa contará com vários eventos sobre o continente africano, com reuniões sobre o Mali, Saara Ocidental, Líbia ou República Democrática do Congo.

Além do debate trimestral sobre a situação no Médio Oriente, outros assuntos relacionados com essa região estão no programa deste mês, como reuniões sobre a situação no Iémen e sobre as questões políticas e humanitárias na Síria.

Reuniões sobre a Missão de Verificação da ONU na Colômbia e sobre o Escritório Integrado da ONU no Haiti também foram agendadas pela Rússia.

No que diz respeito às questões europeias, haverá um ‘briefing’ sobre o trabalho da Missão de Administração Interina das Nações Unidas no Kosovo (UNMIK).

Sobre a Ucrânia, a Rússia está a planear realizar na quarta-feira uma reunião em formato 'Fórmula Arria' (reuniões informais com representantes da sociedade civil) subordinada ao tema “Crianças e conflito armado: crise ucraniana, retirada de crianças da zona de conflito”.

Esta reunião ocorre depois de o Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, ter emitido em 17 de março um mandado de detenção do Presidente russo, Vladimir Putin, por crimes de guerra na Ucrânia, pelo seu alegado envolvimento na deportação para a Rússia de crianças de territórios ucranianos ocupados.

A Rússia (um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança com poder de veto) assumiu este mês a presidência rotativa do órgão, que tem capacidade de fazer aprovar resoluções com caráter vinculativo.

Nas últimas semanas, o representante permanente da Ucrânia junto das Nações Unidas, Sergiy Kyslytsya, apelou publicamente à organização para que não permitisse a presidência russa.

"Na noite da invasão [russa da Ucrânia], [o secretário-geral da ONU] António Guterres classificou-o de 'o dia mais triste do seu mandato'; na verdade, o dia mais triste da história da ONU será o 01 de abril de 2023, quando, a menos que a justiça prevaleça, a Rússia assumir a presidência do Conselho de Segurança", disse recentemente Kyslytsya na rede social Twitter.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro do ano passado, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


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