"O regime sionista (de Israel) e alguns países europeus têm um longo histórico no que se conhece como operações de bandeira falsa", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Ismail Bagaei, em conferência de imprensa, citada pela agência noticiosa espanhola Efe.
Ismail Bagaei argumentou que Israel e os seus "defensores" na Europa e nos Estados Unidos pretendem "difundir a ideia de que existe uma nova ameaça proveniente do Irão para a região ou para a comunidade internacional".
Esta reação ocorreu depois de o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, ter afirmado que havia "fortes indícios" de que o Irão estaria envolvido num suposto atentado contra a base aérea britânica de Fairford, no oeste de Inglaterra, utilizada pelos EUA para atacar o Irão durante a guerra que está a travar.
As autoridades britânicas detiveram seis pessoas pelo incidente, entre elas um cidadão irano-britânico, embora todas tenham sido libertadas mediante pagamento uma fiança.
Entretanto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse no sábado que Israel está a investigar se o Irão esteve implicado no incidente ocorrido num voo da companhia aérea Flydubai com destino a Israel, no qual o copiloto esfaqueou o piloto e tentou derrubar a aeronave, tendo sido travado por passageiros após o piloto ter conseguido abrir a porta da cabine de pilotagem.
Netanyahu afirmou posteriormente que ainda era cedo demais para determinar se o Irão esteve envolvido no que já considerado ter sido um ataque terrorista.
O porta-voz da diplomacia iraniana afirmou que essas acusações se baseiam em informações que "não podem ser verificadas de forma alguma" e sustentou que o Irão está a ser acusado de participar do planeamento de operações cuja própria existência "está em dúvida".
"Acredito que até crianças da pré-escola perceberam o quão desajeitadamente isso foi arquitetado para gerar uma sensação de insegurança e acusar o Irão ou outros atores", afirmou o diplomata iraniano.
O governante iraniano disse ainda que o Reino Unido não se pode eximir da sua responsabilidade pela participação na alegada guerra de acusações contra o Irão e destacou que o embaixador britânico em Teerão, Hugo Shorter, foi convocado na quinta-feira passada para receber um protesto oficial sobre este assunto.
Ismail Bagaei condenou também o uso da base de Fairford pelos EUA durante a guerra contra o Irão.
"Apresentar o Irão como uma ameaça ou como um país com intenções hostis não pode, em hipótese alguma, ocultar o fato de que o Reino Unido participou 'de facto' numa ação hostil contra o Irão", afirmou.
Irão: Teerão acusa Reino Unido e Israel de operações de “bandeira falsa” para denegrir país
O Irão acusou o Reino Unido e Israel de operações de “bandeira falsa” sobre um ataque a uma base britânica e ao incidente com um avião da Flydubai para apresentar o país como uma ameaça internacional.
Autor: Lusa
