O novo coordenador do Serviço Diocesano dos Bens Culturais, Filipe Sousa
Cunha, revelou que, atualmente, apenas 21 das 165 paróquias da diocese
têm o seu património móvel inventariado.
Em entrevista ao sítio
Igreja Açores, Filipe Sousa Cunha considera que se trata de um número
insuficiente, mas espera que aumente, apesar das limitações de recursos
humanos e financeiros.
“Estamos bem longe daquilo que queremos, mas é
esse o desafio. Nem que seja de uma forma mais simplificada, é
importante que o inventário exista. Além do conhecimento que
proporciona, é também uma questão de segurança, porque faz prova da
propriedade dos bens”, afirma o responsável que substitui no cargo
Susana Goulart Costa, que assumiu a posição de Representante da
República para os Açores.
De modo a atingir este objetivo, revela que
o Serviço Diocesano dos Bens Culturais tem procurado estabelecer
contactos com as autarquias açorianas para encontrar formas de
colaboração que permitam acelerar este trabalho.
“Uma das estratégias
que temos tentado passa por reunir com as várias autarquias dos Açores
para conseguir meios que permitam avançar com os inventários”, explica.
A
equipa do Serviço Diocesano dos Bens Culturais tem como missão
assegurar o trabalho de valorização, preservação e promoção do vasto
património cultural e religioso da Diocese.
Como tal, essa missão
passa pela realização de inventários, considerados essenciais para
conhecer, proteger e valorizar o património existente.
“A questão dos inventários é uma das premissas para se conseguir uma boa salvaguarda”, sublinha.
Mas
também pela conservação do património edificado. Neste aspeto, Filipe
Sousa Cunha considera, na entrevista ao sítio Igreja Açores, que muitos
problemas poderiam ser evitados através de uma manutenção regular,
sobretudo nas coberturas dos edifícios religiosos.
“Nas igrejas, por
exemplo, a falta de limpeza das coberturas ou pequenas anomalias
técnicas podem provocar infiltrações que acabam por degradar não só o
imóvel, mas também todo o património que existe no seu interior”,
exemplifica, lembrando que infestantes, como pragas, a acumulação de
águas e até elementos decorativos, como flores colocadas junto das
paredes, podem acelerar processos de degradação.
Neste contexto, insiste na importância da prevenção.
“Muitas
vezes são as boas intervenções que evitam intervenções futuras
próximas”, defende, realçando: “Tentamos estar presentes nesses cuidados
porque sabemos que, depois de uma intervenção, é muito difícil
conseguir voltar a intervir.”
Por outro lado, o diretor do Serviço
Diocesano dos Bens Culturais frisa que esta equipa está disponível para
acompanhar os responsáveis paroquiais e prestar apoio técnico sempre que
necessário.
“Temos tentado sensibilizar ao máximo. Em muitos casos
tem sido um desafio, mas queremos afirmar a nossa presença como apoio e
não como uma dificuldade para quem quer realmente fazer”, refere.
A
equipa dirigida por Filipe Sousa Cunha, arquiteto, conta ainda com a
colaboração de Ana Maria Raposo Fernandes, Daniela Correia de Melo,
Francisco Torres Pimentel, Hernâni Alves Ponte, Joana Maria Sousa Simas,
Margarida dos Santos Lopes, Paula Maria Soares Romão, Raquel Maria
Gouveia Christiano de Sousa e Rita Carmen Reis Nascimento. Como
assistente, foi nomeado o Pe. Hélio Nuno Santos Soares.
Desta equipa
fazem parte especialistas em diferentes áreas e pretende reforçar a sua
presença em mais ilhas do arquipélago, encontrando-se distribuídos entre
São Miguel e a Terceira.
A concluir, Filipe Sousa Cunha revelou que
assume a coordenação do Serviço Diocesano dos Bens Culturais,
acreditando que os desafios existentes são exigentes, mas
ultrapassáveis.
“O principal desafio é a proteção, mas também a sensibilização”, considera.
Inventário do património abrange apenas 21 das 165 paróquias
Apenas 21 das 165 paróquias da diocese têm o património móvel inventariado.
O diretor do Serviço Diocesano dos Bens Culturais, Filipe Sousa Cunha, admite que
o número é insuficiente e aponta a falta de recursos como principal obstáculo
Autor: Ana Carvalho Melo
