O folclore “precisa de uma motivação extra”, até porque tem sido o
“parente pobre da cultura” nos Açores, não só pela falta de apoio
governamental, mas também pela pouca valorização do folclore por parte
de quem contrata grupos para atuar, pagando valores “muito económicos”
que levam os grupos a atuar “quase por amor à camisola”.
O alerta é
feito em declarações ao Açoriano Oriental pelo presidente do Grupo
Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso, José Maria
Cabral.
Falando da realidade de São Miguel, que melhor conhece,
José Maria Cabral acredita existirem muitos grupos folclóricos “que
estão a passar dificuldades ao nível financeiro e do número de
elementos” e, por isso, apela ao Governo Regional para apoiar de uma
forma anual a atividade dos grupos folclóricos e não apenas pontualmente
na organização ou participação em festivais, isto “se queremos
continuar a ver folclore na praça pública”, alerta.
Até porque não é
só na organização de eventos que é preciso apoiar o folclore, sendo
também muito importante investir na pesquisa histórica e etnográfica nas
freguesias, “para se saber como se tocava, dançava e cantava”
antigamente, explica José Maria Cabral.
O Grupo Folclórico do Porto
Formoso está a comemorar 25 anos de existência (ver caixa) e vai este
ano realizar a 16.ª edição do Festival Internacional de Folclore do
Porto Formoso, com o dia das atuações no porto da freguesia a acontecer a
12 de agosto, tendo já presenças confirmadas de um grupo folclórico do
Brasil e de outro da Eslováquia, a que se juntam vários grupos locais.
“É uma ocasião em que mostramos tudo o que de bom temos a nível da
cultura, das tradições e da gastronomia” aos grupos que vêm do exterior,
para que estes levem um pouco da alma açoriana e promovam os Açores nos
seus países de origem, refere o presidente do Grupo Folclórico do Porto
Formoso.
Durante dois anos e meio, a pandemia de Covid-19 suspendeu
quase totalmente a atividade do Grupo Folclórico do Porto Formoso, o
que levou o seu presidente a temer uma desmobilização dos seus
elementos, quando a atividade do grupo retomasse a normalidade.
No
entanto, não foi isso que aconteceu, conforme admite José Maria Cabral:
“tínhamos o medo de haver desistências, mas muito pelo contrário, o que
aconteceu até foi o regresso de alguns elementos que já não estavam no
grupo há seis, sete ou mesmo dez anos e que voltaram agora”.
Uma situação que o presidente do Grupo Folclórico do Porto Formoso atribui à vontade de voltar à vida coletiva por parte de muitas pessoas que ficaram dois anos em casa, privadas do convívio e dos eventos culturais. Atualmente, o Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso tem cerca de 45 elementos para as atuações, lembrando José Maria Cabral que é a participação nos festivais que mais atrai as pessoas ao folclore, sobretudo os jovens, porque proporciona o contacto com pessoas de outras regiões e países, bem como a experiência de viajar.
Grupo Folclórico do Porto Formoso faz 25 anos de atividade
O
Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso completa 25
anos de atividade em 2023, num ano em que terá uma atuação em Paris no
mês de novembro.
As comemorações dos 25 anos do Grupo Folclórico do
Porto Formoso decorrem hoje, a partir das 19h30, no pavilhão desportivo
da freguesia, com uma sessão solene onde será passada em revista a
história do grupo, contando também com intervenções dos fundadores e
entidades oficiais.
“Queremos reavivar a memória sobre o que esta associação já fez ao nível desta freguesia, do concelho, da ilha e dos Açores”, afirma o presidente do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso.
José Maria Cabral está há 10 anos à frente do
Grupo Folclórico do Porto Formoso e espera neste ano de 2023 ter uma
retoma em pleno da atividade do grupo, após dois anos e meio muito
marcados pela suspensão ou grande redução das atividades culturais
devido à pandemia de Covid-19.
“Este ano está a ser muito bom a
nível de convites”, afirma José Maria Cabral, lembrando dois eventos
fora dos Açores onde o Grupo Folclórico do Porto Formoso irá estar
presente. O primeiro será na cidade do Porto, numa Gala organizada pelo
Conselho Internacional de Organizações de Festivais de Folclore e Artes
Tradicionais, que irá decorrer no final de maio e onde o grupo irá
representar os Açores com o Baile Furado.
No final do ano, em novembro, o Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso irá atuar na capital de França, Paris, num Festival Internacional organizado pela Casa de Portugal, sendo o primeiro grupo de folclore dos Açores a participar nesse festival.
