Hungria/Eleições

Futuro primeiro-ministro avisa que “não esquecerá” o que Orbán fez ao país

O vencedor das eleições legislativas na Hungria, Péter Magyar, deixou um aviso aos dirigentes do derrotado partido Fidesz, afirmando que “não se esquecerá” das políticas seguidas por Viktor Orbán ao longo dos últimos 16 anos de governação



Numa publicação nas redes sociais, o líder do partido Tisza, que irá assumir o cargo de primeiro-ministro, declarou que os responsáveis do Fidesz terão de responder pelas suas ações.

“Não importa se agem como se nada tivesse acontecido, nós sabemos o que fizeram”, afirmou Magyar, acrescentando que “colhemos o que semeamos”, numa referência às consequências políticas do anterior executivo.

O Fidesz, liderado por Viktor Orbán, governava o país desde 2010, tendo sido derrotado nas eleições legislativas de domingo passado por uma margem de 14 pontos percentuais.

Magyar reuniu-se na quarta-feira com o Presidente húngaro e membro do Fidesz, Tamás Sulyok, a quem exigiu a demissão para acelerar o processo de formação de um novo Governo na Hungria.

O futuro chefe do executivo avisou que, caso o Presidente não se demita voluntariamente, o novo parlamento recorrerá a todos os mecanismos legais para promover a sua destituição.

Magyar anunciou ainda mudanças simbólicas na organização do poder executivo, incluindo a transferência da sede do Governo do Mosteiro Carmelita, em Buda, para onde Orbán transferiu os gabinetes governamentais em 2019, para instalações ministeriais próximas do parlamento.

A derrota do Fidesz foi interpretada como um sinal de descontentamento dos eleitores face à situação económica e à orientação internacional do Governo cessante, marcada por posições consideradas próximas da Rússia e em divergência com parceiros europeus.

Quase 80% dos cerca de oito milhões de eleitores ditaram o fim da era Orbán, cujo partido, Fidesz, elegeu 55 dos 199 deputados, com o Tisza a conquistar a maioria com 138 eleitos, a maior de sempre no parlamento húngaro.

Devido ao complexo sistema eleitoral húngaro, o partido de Magyar terá uma maioria de dois terços no parlamento, o que facilitará a realização das reformas prometidas.


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