Açoriano Oriental
Formação dos alunos é o mais essencial da educação, mas é esquecido do dabate - Nuno Crato

O ex-ministro da Educação e Ciência Nuno Crato afirmou esta segunda feira que o debate sobre o estado do ensino em Portugal está a esquecer aquela que considera ser a questão mais essencial, a formação dos jovens.

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Foto: PAULO NOVAIS/LUSA
Autor: AO Online/ Lusa

O matemático e antigo governante falou sobre “o que importa e o que não importa na educação”, num debate organizado pela Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES) em Lisboa, em que defendeu que “aquilo que se tem discutido na educação não é aquilo que é essencial em educação”.

“O que se costuma discutir em educação são coisas que podem ser importantes, como as greves dos professores, o número de alunos por turmas, ou as competências do século XXI, mas não se discute o que é essencial”, afirmou, considerando que é necessário trazer ao centro do debate a formação e a educação dos jovens.

Durante cerca de uma hora, Nuno Crato defendeu um sistema de ensino que continue a privilegiar o conhecimento e não o desenvolvimento das competências do século XXI, que o ex-ministro considerou serem, sobretudo, uma imposição das empresas sobre os currículos escolares.

“Se os nossos jovens tiverem um currículo rico em conhecimento, então conseguimos que melhorem”, afirmou. Nuno Crato admitiu, ainda assim, a importância de modernizar os currículos, com a inclusão, por exemplo, da programação e do pensamento computacional, mas sublinhou que isso não se pode sobrepor às matérias tradicionais, como a matemática, a literatura ou a história.

O ex-ministro alertou também que a qualidade da educação se vai refletir, no futuro, na qualidade dos profissionais, nomeadamente dos professores.

Referindo-se ao problema do envelhecimento da classe docente, Nuno Crato considerou que as necessidades dos futuros alunos não estão a ser incluídas no debate, defendendo que é necessário garantir a qualidade do ensino hoje para que os professores de amanhã sejam pelo menos tão bons como os atuais.

Questionado sobre a falta de profissionais técnicos, decorrente de uma cada vez maior valorização do ensino superior, o antigo governante sublinhou a importância do ensino profissional em Portugal, mas afirmou que este deve ser entendido como um caminho para um fim específico, e não como “uma via menor ou uma entrada pela porta do cavalo para as universidades”.

“Há cursos que fornecem uma preparação para entrar na Universidade e há cursos que fornecem uma preparação para entrar diretamente no mercado de trabalho”, disse, sublinhando a importância de ambos.


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