Farmácias queixam-se de constrangimentos por causa do transporte aéreo

Nas ilhas onde não há fornecedor local, as farmácias do Corvo, Flores, Graciosa e Santa Maria relatam dificuldades no transporte aéreo de medicamentos nos últimos meses



Não é de agora, mas a recente greve do serviço de assistência em viagem (vulgo, handling) da SATA só veio agravar a situação: farmácias das ilhas onde não há fornecedor local de medicamentos, e que por isso dependem do transporte aéreo, denunciam ao Açoriano Oriental reiterados constrangimentos no transporte aéreo de medicamentos, considerada carga prioritária, o que causa problemas logísticos às farmácias. Contudo, está afastada qualquer rotura de medicamentos nestas ilhas.

De acordo com os diretores técnicos de três farmácias contactadas pelo jornal, as queixas do serviço já têm alguns meses. “Durante a época de verão, aconteceu que as cargas não vinham completas: tínhamos que receber quatro ou cinco caixas, e recebíamos duas num voo, no outro dia as restantes. E isto não era normal”, revela Carlos Brum, da Farmácia Graciosa, em Santa Cruz da Graciosa.

Eduardo Freitas, diretor técnico das farmácias das Flores e do Corvo, relata o mesmo, indicando que o problema começou com o novo sistema de reservas: “As encomendas que fizemos na segunda-feira, por exemplo, só chegaram na quarta-feira. Se for uma compra urgente, que é preciso para o dia seguinte, por exemplo, nunca chega no dia seguinte”.
Também Paulo Santos, da Farmácia Abílio Botelho, em Vila do Porto, reconhece os constrangimentos, assinalando que “requisições de medicamentos novos que temos de pedir, por vezes, torna-se difícil de chegar à ilha”.

Em ambas, o stock de medicamentos de grande procura está assegurado, calejados que estão das voltas que o clima dá à aviação. No entanto, reconhecem que causa um esforço significativo na gestão das empresas.

“Esforço-me por ter encomendas diárias, para ter os stocks para três, quatro dias, pois conto já com os atrasos. Não é alarmante, mas é preocupante”, refere Eduardo Freitas, com Carlos Brum a acrescentar: “O problema é que não há uma previsibilidade e uma informação de quando a carga chega, o que nos obriga a repetir encomendas, porque temos medo de não receber”.

O responsável pela Farmácia Graciosa sublinha que nem medicamentos urgentes são tidos em conta pela companhia aérea: “Não há, por parte da SATA, uma sensibilidade para aquilo que são cargas urgentes, para eles é tudo igual: ser umas flores para uma empresa mortuária, ou medicamentos para uma farmácia, o tratamento é igual”.

O aumento das taxas cobradas pela SATA também têm tido o seu impacto, com os farmacêuticos a falarem de entre 500 a 800 euros a mais do que pagavam no anterior sistema.
O Açoriano Oriental procurou uma reação por parte da SATA, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta.  

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