Durão Barroso defende orçamento comunitário que aposte no investimento e no crescimento

Durão Barroso defende orçamento comunitário que aposte no investimento e no crescimento

 

Lusa/AO online   Economia   24 de Nov de 2012, 19:29

O presidente da Comissão Europeia (CE), Durão Barroso, criticou hoje em Gaia os Governos que "querem renacionalizar" políticas europeias, prometendo lutar por um orçamento comunitário que não ponha de lado o investimento em áreas essenciais para o crescimento.

 

“O caminho que a União Europeia quer seguir não é apenas o da contenção orçamental. É, também, um caminho de investimento, porque sem ele, não pode haver criação de riqueza e emprego”, alertou o presidente da CE.

Durão Barroso, que participou hoje nas cerimónias do Dia Nacional do Engenheiro, mostrou-se “preocupado” com o debate em torno do Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia para o período 2014-2020, que terminou na sexta-feira sem que os líderes europeus tenham alcançado consenso.

“A UE vai lutar por um resultado que se traduza no crescimento sustentável, socialmente mais justo e inclusivo”, garantiu.

Considerando que, do ponto de vista português, houve “progressos”, Barroso revelou que a CE propôs “mais mil milhões de euros para Portugal”.

“A minha orientação tem sido não abandonar os países mais vulneráveis e não abandonar o investimento”, assegurou.

Durão Barroso destacou a importância de apostar nas áreas da inovação, conhecimento, tecnologia, nomeadamente como forma de “reindustrializar a Europa”.

“A CE está a defender um investimento e um programa social. O orçamento para os próximos sete anos é a melhor oportunidade para podermos criar uma agenda de crescimento e investimento. Estou preocupado porque alguns governos querem reduzir de forma dramática a nossa proposta inicial”, vincou, em declarações aos jornalistas no fim da cerimónia.

Barroso alertou não poder garantir que o acordo que vier alcançado “seja o acordo à medida da ambição que a Europa precisa”, já que a UE “precisa mais do que nunca de uma agenda de crescimento que passa necessariamente por um programa de investimento”.

A situação justifica-se devido à falta de “folga orçamental de alguns países para investimento público” e à necessidade de “ter atenção especial a situações sociais dramáticas”.

“Por isso não compreendo propostas de alguns governos para terminar com programas de ajuda aos mais desfavorecidos, nomeadamente de ajuda alimentar”, afirmou.

Durão Barroso lamenta que “precisamente numa situação como esta” se esteja, “pela primeira vez, a discutir um orçamento com menos fundos, quando devia haver maior abertura a um investimento a nível europeu”.

Relativamente ao caso português, Durão Barroso explicou que a CE propôs ao presidente do Conselho Europeu “que na nova proposta agora em negociação seja contemplada a situação específica de Portugal com uma contribuição adicional de 1.000 milhões de euros”.

Apesar de nada estar garantido, o presidente da CE está “confiante de que Portugal vai conseguir resultados positivos”.

Acontece que, “se houver reduções muito significativas ao nível de outros programas, tanto Portugal como os outros países serão afetados”, explicou.

“Alguns Governos querem renacionalizar algumas das nossas políticas, o que nos parece um erro”, criticou antes, durante o discurso, o presidente da CE.

Barroso alertou na sexta-feira, em Bruxelas, para o "enorme custo” político e económico decorrente da falta de um orçamento para a EU.

Após uma ronda de consultas, o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, decidiu manter um corte de 80 mil milhões de euros na proposta da CE, apresentando uma redistribuição que atenua as reduções nas áreas da coesão e agricultura, consideradas prioritárias por diversos Estados-membros, caso da França, Espanha ou Portugal.

A CE apresentou uma proposta de 1.033 mil milhões de euros para a UE.



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