Autor: Lusa/AO Online
O diretor do DOP, Hélder Silva, explicou, em declarações à Lusa, que apenas um terço dos investigadores estão nos quadros da universidade.
Segundo o responsável, existem atualmente mais de 50 pessoas a desempenhar funções do DOP de forma precária, a maioria das quais financiadas por bolsas de investigação ou contratos precários de trabalho.
"Julgo que somos um caso singular no país e na região", referiu Hélder Silva, para quem estes casos, embora possam gerar uma "grande concorrência" e até um eventual "aumento de produtividade", causam também um cenário de indefinição para os profissionais.
O diretor do DOP admitiu que existem investigadores que, ao fim de alguns anos, acabam por trocar devido à sua condição: "Nalguns casos as pessoas acabam por tomar decisões de fundo na sua própria vida e sair da carreia de investigação, para enveredar por outras carreias que lhes garantem maior estabilidade".
O problema da precariedade no DOP não se resume à indefinição laboral da maioria dos investigadores, de acordo com o responsável.
Isto porque a não renovação dos quadros da instituição está também a provocar um "envelhecimento" gradual dos seus profissionais.
"O próprio reitor já levantou essa questão, numa reunião que nós realizámos, que é olhar para a média etária das pessoas que compõem o departamento e perguntar: quantos mais anos é que nós temos para garantir a instituição a funcionar?", sublinhou o diretor do DOP.
Hélder Silva entende que só há uma solução para o problema – contratar investigadores.
"Está na hora mais do que certa de o Estado repensar aquilo que quer das suas instituições no futuro, garantindo-lhes mais estabilidade, e isso significa necessariamente contratar pelo menos algumas dos pessoas que precariamente vêm garantindo o funcionamento dessas instituições", insistiu.
Muitos dos bolseiros investigadores do DOP estão numa situação laboral precária há mais de uma dúzia de anos.
O DOP dedica-se à investigação marinha no mar dos Açores, abrangendo áreas que vão desde as pescas e das áreas marinhas protegidas até às fontes hidrotermais de profundidade que se situam ao largo do arquipélago.