Diretor-adjunto do Expresso diz que ‘Fake News’ podem desencadear “uma guerra mundial”


 

Lusa/Ao online   Nacional   7 de Abr de 2019, 12:22

 O diretor-adjunto do Expresso, David Dinis, afirmou este sábado que o fenómeno das ‘Fake News’ pode desencadear “uma guerra mundial”, defendendo a sua regulação, no colóquio "Sete vidas – o futuro do jornalismo", no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

“Nada disto é novo, mas hoje estamos muito mais sensíveis. O fenómeno das ‘Fake News’ não acontece só por interesse económico. Há também um interesse político e geopolítico de poder. As ‘Fake News’ podem desencadear uma guerra mundial”, observou David Dinis, num debate sobre ‘Fake News’ e populismo.

De acordo com o diretor-adjunto do Expresso, o jornalismo é pequeno para combater este problema, exemplificando com a existência de centrais de produção de informação falsa nos Balcãs.

“Hoje há uma preocupação de Bruxelas. Há centrais de poder que têm máquinas de produção de informação falsa, que são um assunto ultrassensível, nos Balcãs”, disse.

Para David Dinis, no que respeita às ‘Fake News’, não há outra solução se não regular.

“Não há outra solução se não regular. Hoje, [as ‘Fake News’] põem em perigo a democracia como a queremos, o sistema global como nós o conhecemos e à nossa vida”, declarou o diretor-adjunto do Expresso.

Por sua vez, Henrique Monteiro, antigo diretor do Expresso, o facto de se achar que tudo é igual é muito propicio para a existência de ‘Fake News’.

“A democratização sociológica, o alargamento, e a possibilidade de todos participarem como emissores e recetores, tendem para a demagogia, e a demagogia tende ao populismo”, frisou Henrique Monteiro, atribuindo o fenómeno a grupos de pessoas predispostas a votar em candidatos como Donald Trump ou Jair Bolsonaro.

O antigo diretor do Expresso garantiu ainda que as 'Fake News’ são um problema complexo e que deve ser combatido.

No mesmo painel, Catarina Carvalho, diretora executiva do Diário de Notícias (DN), considerou que o problema está na forma, com o que aconteceu no início desta expressão.

“O problema está na forma. Com o que aconteceu no início. Quando foi capturada por Donald Trump e associou ‘Fake News’ ao mau jornalismo”, explicou.

Segundo Catarina Carvalho, quando o modelo de negócio são os 'cliques', a partir desse momento o 'clique' torna-se no “Santo Graal da informação”, deixando de haver distinção entre informação e desinformação.

No debate, São José Almeida, jornalista e fundadora do Público, lembrou que as ‘Fake News’ servem o populismo e que as democracias vivem em circunstâncias novas e desafios como as redes sociais.

“Há um relativismo ético. Vivemos numa sociedade espetáculo”, realçou, alertando que “um jornal ‘online’ não pode publicar vídeos de cães e de gatinhos como um objeto lúdico”.

Para São José Almeida, o jornalista não pode ser um mero transmissor. Não pode ser distinguido numa redação se sabe usar plataforma digitais. Um 'clique' não pode ser mais importante que uma cacha”, sublinhou.

O colóquio "Sete vidas – o futuro do jornalismo" decorre este fim de semana no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, onde é discutido o futuro do jornalismo português, dividido em sete debates.


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