Director-nacional da PJ diz que é preciso pôr ordem no negócio de diversão nocturna


 

Lusa/Ao online   Nacional   13 de Dez de 2007, 06:48

O director nacional da Polícia Judiciária (PJ), Alípio Ribeiro, defende, em entrevista hoje publicada pelo Diário Económico, que para combater os crimes relacionados com a noite é preciso pôr ordem no negócio da diversão nocturna.
"É preciso pôr ordem nos negócios da noite", disse Alípio Ribeiro ao DE, numa entrevista publicada um dia depois de investigação da onda de homicídios violentos no Porto ter passado a ser coordenada directamente por uma equipa do Ministério Público.

    Segundo o director nacional da PJ é preciso "contabilizar lucros, saber quem é que faz segurança nas discotecas e quem são as empresas”.

    “Não podemos deixar o negócio da noite como um negócio à margem", acrescentou.

    Quando continuam por descobrir o responsável ou responsáveis pela morte de seis pessoas ligadas a actividades de diversão nocturna no Porto, Alípio Ribeiro sustenta que não basta encontrar os autores dos homicídios, mas sim "acabar com as causas que os permitem".

    Para atingir este objectivo, o director nacional da PJ adianta ser necessário definir o que é a actividade nocturna e sublinha que o lado mais visível da criminalidade poderá ser apenas a ponta do iceberg.

    É preciso "ter a percepção de que associado à noite há um fenómeno de criminalidade complexa que integra não apenas estes actos violentos contra a vida, mas também os que têm a ver com o tráfico de droga, com o branqueamento de dinheiro e a fuga ao fisco", acrescentou.

    Apesar de a definição de alvos concretos ser um traço comum aos homicídios que têm acontecido, Alípio Ribeiro considera tratar-se de "acontecimentos que criam sentimento de insegurança" que "têm de ser tratados pela investigação criminal".

    O Procurador-Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, nomeou quarta-feira a procuradora Maria Helena Fazenda para dirigir e coordenar a investigação de todos os inquéritos relacionados com os homicídios e "alta violência contra pessoas" na noite portuense.

    Maria Helena Fazenda, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), será coadjuvada por uma equipa de cerca de dez elementos, a qual será integrada por magistrados do Ministério Público e por elementos da Polícia Judiciária, da PSP e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

    Um segurança foi assassinado ao final da noite de domingo em Gaia, sendo, segundo fonte policial, o mesmo homem que acompanhava o empresário da noite Aurélio Palha, morto a tiro no final de Agosto, no Porto.

    O crime de domingo à noite, em Gaia, ocorreu doze dias depois de um outro segurança ter sido abatido na zona ribeirinha da Alfândega.

    Entre os seis assassínios ocorridos no Grande Porto nos últimos seis meses, o caso mais mediático foi o do empresário Aurélio Palha, dono da discoteca "Chic", abatido a tiro a partir de um carro em andamento.

    Quando foi morto, Aurélio Palha estava a conversar, de madrugada, com Berto (o segurança que foi assassinado domingo à noite).

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