O ponto de encontro dos dois grupos foi o Tribunal do Distrito Sul de Nova Iorque, na baixa de Manhattan. Apesar de em comum agitarem bandeiras da Venezuela, os objetivos dos protestos não podiam ser mais antagónicos.
Uma barreira de metal e um forte dispositivo policial separavam os dois grupos.
Do lado direito, um grupo mais pequeno defendia a libertação imediata de Nicolás Maduro, que, juntamente com a mulher, Cilia Flores, foi capturado em 03 de janeiro durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas.
“Libertem o Presidente Maduro e Cilia Flores”, podia ler-se nos cartazes levantados por apoiantes do ex-líder venezuelano.
Em cânticos entoados em espanhol e em inglês, defendiam a “revolução socialista” e diziam não querer tropas norte-americanas a invadir solo venezuelano.
Do lado oposto da cerca de metal, um número maior de pessoas celebrava a prisão de Maduro, que acusaram de “tortura, execuções extrajudiciais, violência estatal”, entre outros crimes.
“Não queremos mais ditadura”, “Maduro vendeu a Venezuela”, “Vamos celebrar Maduro na prisão”, lia-se em alguns cartazes.
Um boneco com a imagem de Nicolás Maduro, com olhos vermelhos e vestido com o tradicional uniforme laranja usado nas prisões norte-americanas, também desfilava no protesto.
Junto ao tribunal estava igualmente um grupo de espanhóis, membros da associação HazteOir, que exige uma investigação às alegadas ligações entre o Partido Socialista Espanhol (PSOE) e o regime de Maduro.
“Esta é a segunda vez que estamos aqui, porque queremos mostrar como o PSOE é corrupto e as ligações entre o presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, e o antigo presidente José Luis Rodríguez Zapatero com a ditadura de Maduro”, disse à Lusa um dos membros, que não se quis identificar, da HazteOir.
Além de vários cartazes, a associação espanhola colocou também a circular pela baixa de Manhattan uma carrinha com os rostos de Maduro, Sánchez e Zapatero, classificando-os como criminosos.
“Sabemos que muito dinheiro foi enviado da Venezuela para Espanha e exigimos que isso seja investigado”, acrescentou o jovem ativista espanhol.
Depois da captura em janeiro, Maduro foi levado para Nova Iorque, onde permanece no Centro Metropolitano de Detenção em Brooklyn, aguardando julgamento por acusações de narcoterrorismo e tráfico de droga.
O antigo homem forte da Venezuela, de 63 anos, e a mulher, Cilia Flores, de 69, também acusada no mesmo processo, não voltaram a aparecer em público desde uma primeira audiência realizada a 05 de janeiro, em que foram formalmente acusados pela justiça norte-americana.
