Crise ou oportunidade? O caso Açoriano

Crise ou oportunidade?  O caso Açoriano

 

Paulo Gil André   Regional   28 de Nov de 2008, 22:59

O actual período de recessão económica constitui inequivocamente uma oportunidade para os empreendedores açorianos mostrarem o seu valor e acutilância para iniciarem a sua actividade empresarial, liderando start-ups e pequenos negócios
Ainda que o desenvolvimento económico tenha vindo a fazer-se notar nos últimos anos, nos Açores não chegou a verificar-se um período de euforia e expansão desmedida (consumo acima dos níveis permitidos pela economia real), pelo que o abrandamento a que estará sujeito pelo impacto da crise mundial se fará provavelmente de forma menos acentuada e evidente. É possível identificar infra-estruturas, bens e serviços que ainda não se encontram disponíveis ou suficientemente desenvolvidos, pelo que o último ciclo de desenvolvimento, interrompido pela actual crise, não gerou na generalidade um excedente de oferta face às reais necessidades e capacidades de consumo dos consumidores. Esta circunstância, aliada ao facto de que um período de crise constitui também uma oportunidade única para novos negócios, o momento presente constitui uma oportunidade única que não pode ser desperdiçada. Em períodos de crise, as dificuldades devem aguçar o engenho. É nestas alturas que por norma surgem novos players, novos empreendedores que se diferenciam, não por terem um produto testado/conhecido ou capacidade de investimento (crédito), mas antes porque anteciparam novas tendências e concretizaram ideias inovadoras. Num período de expansão a concorrência é mais feroz (elevados níveis de consumo e ambientes de optimismo permitem a existência de organizações obsoletas, sobredimensionadas). Os períodos de maior crescimento dos resultados dos novos negócios, por norma ocorrem em períodos pós crise - quando os nichos de mercado ainda não são conhecidos por todos e são ainda explorados por poucos - mais do que em períodos de continuada expansão.
Na actual conjuntura, quem tiver uma estrutura flexível, adoptar ideias criativas (antecipar, concretizar e liderar as novas tendências), terá provavelmente um crescimento maior e ainda mais fácil do que o que teria num período de boom, quando a concorrência já estiver desperta e as alternativas de investimento dos investidores (banca, capitais de risco, accionistas), se forem alargando/diversificando. Muitas das grandes organizações actuais começaram por ser pequenas start-ups e negócios de nicho. Assim, o actual período de recessão económica constitui inequivocamente uma oportunidade para os empreendedores Açorianos mostrarem o seu valor e acutilância para iniciarem a sua actividade empresarial, liderando start-ups e pequenas negócios. Vivemos novos paradigmas e formas inovadoras de fazer negócio (num clima de total descrédito pelos actuais negócios, modelos de gestão/governance e incapacidade creditícia), os melhores activos são os intangíveis (know-how e skills humanos) e as melhores garantias, a inovação e a liderança em novos negócios. A crise do crédito revelou que as organizações não geriram os riscos financeiros nem ajustaram a sua estrutura a um cenário de crise, revelando as gorduras e ineficiências daí decorrentes.
Mas só com espírito positivo, inovação e atitude empreendedora, se consegue abordar o mercado de forma diferenciada e com isso cativar a confiança dos financiadores e do mercado/consumidores. As características de um empreendedor não se ensinam (aceitação do risco, persistência, optimismo, integridade, inovação, humildade, vontade de enriquecer e ser independente). De facto algumas das principais características de um empreendedor são de natureza pessoal (genética) e não tanto resultantes de um processo de aculturação. A nossa sociedade sempre ensinou à geração seguinte valores de estabilidade e segurança, os quais por norma se associam a empregos públicos e trabalhos por conta de outrem. O empreendedor assume outros valores, nomeadamente a vontade de aceitar desafios, enriquecer e ser independente. Empreendedor é aquele que organiza, operacionaliza e assume o risco de um negócio, arriscando recursos para criar novos produtos e serviços, tendo o lucro por objectivo. O empreendedor de sucesso é persistente e corajoso, pois uma boa percentagem dos novos negócios fecham nos primeiros anos, pelo que é necessário ter a capacidade/habilidade para recuperar e começar de novo. Ainda que o nível de empreendedorismo de uma sociedade dependa em parte do seu ambiente cultural, ser empreendedor envolve essencialmente características e skills pessoais, ou seja, um activo/capital intangível que dificilmente se ensina, exigindo muita paixão, entusiasmo, people oriented e forte motivação pelos resultados/lucro. Se sente que tem estas características, não hesite e inicie o seu negócio.
Aproveitemos pois o actual momento de crise, em que todos andam distraídos a tentar perceber as suas causas e a visionar o passado. Não há melhor altura do que agora para começar um negócio, desenvolver uma actividade inovadora, pois quando um novo ciclo de expansão vier, já os concorrentes estarão atentos e muitos novos players surgirão aumentando a concorrência.
Para quem começa agora a sua actividade empresarial, particular atenção deverá ser dada nas áreas financeira e de marketing/vendas e distribuição/entrega.
Do ponto de vista financeiro, o focus deve centrar-se no controlo do cash flow (restrição do crédito, dificuldades de cobrança, revisão das condições de pagamento com fornecedores, gestão para aumentos das margens (mais importante, mas também mais difícil é implementar estratégias de aumento das margens do que redução de custos).
Essencial é também o focus na área de marketing (novas formas de abordar o mercado, nichos de mercado mais difíceis de identificar, maior concorrência). Novas ferramentas de marketing de baixo custo estão hoje disponíveis – que colocam em maior pé de igualdade as entidades de menor dimensão - que minimizam a importância de grandes bases de dados de marketing, testes e mensuração da publicidade, análises/estudos de mercados com objectivos de gestão operacional e ajustamento dos níveis de inventários a items e clientes que proporcionem maiores margens, e definição diferenciada do negócio no o mercado. Do ponto de vista da distribuição/entrega, o novo paradigma centra-se na percepção da experiência que o cliente teve do serviço prestado (nível de satisfação), para o que é necessário ter equipas que saibam estar atentas ao cliente, facilitando o processo de compra (nível de garantia, qualidade, serviço).
Seja empreendedor e faça bons negócios!!

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