Consumidores adiam investimentos e aproveitam para pagar dívidas


 

Lusa/AO Online   Economia   1 de Nov de 2009, 14:01

Os consumidores portugueses estão a aproveitar as descidas nas taxas de juro dos empréstimos à habitação para pagar dívidas e para aumentar a poupança, mas não parecem estar a consumir mais, preferindo adiar as compras de maior valor.

A retracção no consumo desde o ano passado, confirmada pelos números do Instituto Nacional de Estatística, "é um comportamento típico em épocas de recessão e de crise", considera a economista do BPI Paula Carvalho. "As famílias tornaram-se mais cautelosas e trata-se, sobretudo, de uma poupança precaucional", explica a economista à agência Lusa, no dia em que se comemora o Dia Mundial da Poupança.

Em 2008, a taxa de poupança voltou a subir, depois de ter estado em queda desde 2003 - ano da penúltima recessão. Em 2008, a taxa de poupança cifrou-se em 6,4 por cento, acelerando mais 2,2 pontos percentuais para os 8,6 por cento nos primeiros seis meses deste ano.

O aumento do rendimento disponível - que se traduz numa subida da taxa de poupança - deveu-se, em grande parte, à descida das taxas de juro decretada pelo Banco Central Europeu como forma de fomentar o consumo e abrandar a queda das economias mundiais, a braços com uma recessão que nasceu no sector financeiro, mas que rapidamente se alastrou à economia real.

Mesmo com esta 'folga' no final do mês, o consumo não aumentou. Pelo contrário, a despesa dos cidadãos retraiu-se 0,8 por cento no segundo semestre, com os consumidores a adiarem boa parte das decisões relativas a investimentos avultados, como por exemplo a compra de casas ou de automóveis.

Para o economista João César das Neves, as pessoas estão a poupar para pagar as dívidas que acumularam durante um período de "exagero de consumo", mas há também quem não consiga sequer pagar as contas, um fenómeno comprovado pela subida do crédito bancário malparado.

"As pessoas andaram num excesso de consumo que levou à reacção contrária e isso é a crise. Estão a poupar porque têm de poupar. Não é bom, nem mau, é indispensável. O que a crise demonstrou é que as pessoas têm de pagar as suas dívidas", considera o economista. "Se julgavam que o nível de endividamento era sustentável, a crise demonstrou que afinal não é", concluiu.

Prova do aumento da consciência dos cidadãos sobre a necessidade de poupar e de conhecer melhor os instrumentos financeiros à sua disposição é a subida nos contactos para a Associação de Defesa dos Consumidores - Deco. A linha SOS Crise da Deco, lançada há seis meses, recebeu, segundo a associação, mais de 3.000 chamadas, a somar às 42 mil visitas do site. Entre as visitas a este canal, a Deco sublinha as "37 mil consultas ao simulador de crédito à habitação".

Por isso, o portal financeiro da Deco, exclusivo para os sócios da associação, vai estar aberto ao público até dia 16 de Novembro, permitindo simular e consultar as ofertas de aplicações financeiras disponíveis no mercado.

Entre os conselhos que a Deco dá aos clientes, o economista João Sousa destaca, em declarações à agência Lusa, as vantagens dos depósitos de curto prazo. "Neste momento (quando se espera em 2010 uma subida dos juros) investir num depósito de taxa fixa a 5 anos, em regra, não será o mais favorável, sobretudo porque a maioria não tem muita liquidez".


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