Venezuela

Colégio de Jornalistas denuncia ataques, roubos e intimidações

Colégio de Jornalistas denuncia ataques, roubos e intimidações

 

Lusa/Ao online   Internacional   17 de Mar de 2019, 21:12

O Colégio Nacional de Jornalistas denunciou este domingo que o Governo do Presidente Nicolás Maduro intensificou os ataques contra a imprensa e transformou os jornalistas em "objetivo político" apenas por informar o que a acontece no país.

"Alertamos para a arremetida contra a liberdade de expressão, a imprensa livre, os trabalhadores da imprensa na Venezuela, que hoje se convertem num objetivo político pelo simples facto de informar sobre o que está a acontecer no nosso país, com a reiterada violação da Constituição", denunciou o Colégio Nacional de Jornalistas (CNP, sigla em espanhol) através do Twitter.

O CNP (entidade responsável pela atribuição da carteira profissional de jornalista) explica ainda que "a partir do Governo reprimem, detêm, desaparecem por horas, torturam e violam os Direitos Humanos dos trabalhadores da imprensa".

"Responsabilizamos Nicolás Maduro, os seus órgãos de segurança, pela integridade física dos jornalistas, fotojornalistas e motoristas da imprensa", afirma.

Por outro lado, sublinha que "as ameaças e a exposição pública dos trabalhadores da imprensa, como se faz nos programas da VTV canal 8 (televisão estatal) e em eventos públicos, também representa uma violação da liberdade de expressão".

"Condenamos energicamente este tipo de atos que violam os Direitos Humanos", explica.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) denunciou pelas 02:00 horas locais de hoje (06:30 horas em Lisboa) "dois homens e uma mulher, armados, vandalizaram a sede do El Informador [diário]", no Estado venezuelano de Lara (370 quilómetros a sudoeste de Caracas).

"Deram pontapés nos portões e portas, tombaram os cartazes e, antes, coletivos (grupos armados afetos ao regime) assediaram dois dos seus jornalistas" na urbanização Ali Primera", explica.

Segundo o SNTP, Enmanuel de Sousa e Reinaldo Gómez, do El Informador, foram "ameaçados e perseguidos pelos coletivos, enquanto funcionários do governo do Estado de Lara "agrediram Agatha Reyes, de La Prensa de Lara, por tomar nota de uma denúncia de um cidadão".

Por outro lado, precisa que 12 jornalistas foram hoje "intimidados, agredidos e impedidos, por oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB polícia militar), de cobrir a visita de uma delegação da Comissão de Direitos Humanos da ONU à prisão de Uribana.

Os jornalistas foram ainda filmados e fotografados pela GNB e por "ordem da ministra [das prisões] Iris Varela não puderam gravar nem tirar fotografias".

Apoiantes do Governo venezuelano teriam ainda, alegadamente roubado, hoje, um ‘tablet’ ao jornalista Hector Rodríguez, chefe de informação de La Prensa de Lara.

No sábado, participantes numa manifestação pró-regime, roubaram o jornalista gráfico Rayner Peña, em Caracas.

Na Venezuela são cada vez mais frequentes as denúncias de ataques físicos, roubos, detenções e intimidações a jornalistas.

Os dados do SNTP dão conta de que as agressões a jornalistas aumentaram desde 23 de janeiro de 2019, dia em que Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela.


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