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China e Índia são os novos garimpeiros de África

China e Índia são os novos garimpeiros de África

 

Lusa / AO online   Internacional   29 de Set de 2007, 11:00

O antigo primeiro-ministro de Angola Lopo do Nascimento alertou, no Porto, para o crescente investimento da China e da Índia em África como potenciador de uma nova "garimpagem" deste continente.
"A China e a Índia poderão estar em vias de protagonizar a segunda grande garimpagem do continente africano, ainda que em moldes um pouco diferentes do que aconteceu com as ex-potências coloniais", afirmou Lopo do Nascimento, na conferência "Europa-África: uma estratégia comum?", que a Fundação Portugal-África está a promover.

Segundo o deputado do MPLA, a China "domina o comércio com África", tendo já "700 empresas em grande actividade" em 49 dos 54 países africanos.

"Em 2005, as trocas comerciais África-China ascenderam a quase 38,6 milhões de dólares, 39 por cento mais do que em 2004", realçou, defendendo que está em construção no continente "uma nova geografia da cooperação e da ajuda internacional".

Lopo do Nascimento salientou que "a China também tem uma estratégia de dominação política mundial", mas "os africanos não são ingénuos ao ponto de considerarem isenta de ameaças a cooperação com a China".

O ex-primeiro-ministro da Angola notou que, a manter o actual ritmo de crescimento, "em 2050, a China será a maior economia do planeta".

"A penetração da China em África constitui, para todos os efeitos, uma autêntica onda de choque na economia mundial. Por isso se começa a questionar se o esperado confronto com os Estados Unidos não terá a África como grande cenário", destacou.

Lopo do Nascimento admitiu que "os Estados Unidos e, particularmente, a Europa acabem por ver reduzida a sua tradicional margem de actuação no continente" africano.

O deputado angolano reconheceu que foi por "culpa própria" que "a África Subsaariana não conseguiu definir e aplicar um modelo próprio de desenvolvimento económico", mas atribuiu aos "efeitos duradouros" da dominação colonial europeia parte da dificuldade em alterar o padrão de especialização produtiva.

Lopo do Nascimento criticou também a forma como os países doadores têm encarado a ajuda pública ao desenvolvimento, dando como exemplo que 80 em cada 100 dólares disponibilizados a estados africanos vão para salários dos técnicos expatriados.

"Significa que pelo menos 80 por cento dos fundos regressam aos países doadores", realçou.
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