“Os Açores são caracterizados por uma enorme pobreza entre quem trabalha e também por uma desigualdade muita significativa na distribuição da riqueza que é produzida pelos trabalhadores. Os custos da insularidade são hoje muito superiores quando comparados com a realidade da Região aquando da criação do Acréscimo Regional ao Salário Mínimo Nacional e da Remuneração Complementar”, afirmou o coordenador da CGTP/Açores, Rui Teixeira.
O dirigente sindical falava numa conferência de imprensa em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, tendo alertado que “era mais do que tempo” de atualizar aqueles mecanismos para valores que correspondem à realidade atual da Região.
Em concreto, a CGTP/IN-Açores defende um aumento de 15% em todos os salários ou, no mínimo, de 150 euros, além da atualização do Acréscimo Regional ao Salário Mínimo Nacional dos 5% para os 10% e da Remuneração Complementar para os 100 euros.
No setor privado, a estrutura sindical defende igualmente aumentos significativos dos salários e critica o estado da contratação coletiva na Região.
Rui Teixeira considerou que esta não tem apresentado "qualidade" que seria necessária face à evolução da riqueza e da produtividade, apontando também responsabilidades ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) e ao poder político em geral.
“O poder de compra de todos os trabalhadores dos Açores foi encolhendo durante os últimos anos e de forma cada vez mais significativa nos tempos mais recentes”, apontou Rui Teixeira.
Para a CGTP, a valorização salarial “é essencial para quebrar um ciclo de pobreza de um conjunto significativo de trabalhadores nos Açores” e para “garantir a reposição do poder de compra que tem sido perdido durante os últimos anos”.
“Estes aumentos que estamos a referir nem sequer garantiam a reposição total que tínhamos há uma década atrás. Seria apenas a eliminação de uma parte das perdas do poder de compra dos últimos anos”, disse o coordenador da CGTP nos Açores.
A CGTP-IN/Açores defende ainda a valorização das carreiras e das profissões, tanto no setor público como no privado, alegando que as medidas adotadas pelo poder político regional têm sido “muito tímidas” e “claramente insuficientes” perante “a degradação das condições de vida", nomeadamente devido ao aumento dos custos com bens de primeira necessidade, alimentação, energia e habitação.
“Os Açores não podem continuar a ser conhecidos pelas dificuldades crescentes entre quem trabalha, ao mesmo tempo que se assiste à acumulação brutal da riqueza numa minoria, que acumula privilégios”, alertou Rui Teixeira.
O dirigente sindical sustentou que “sem um aumento geral e significativo dos salários” será mais difícil fixar os jovens na Região, sobretudo os mais qualificados, captar mão-de-obra qualificada, aumentar a capacidade de compra dos trabalhadores e dinamizar a economia através do mercado interno e dos setores produtivos.
Quanto à petição, a CGTP-IN/Açores ainda não definiu a data em que pretende entregá-la à Assembleia Legislativa Regional, nem estabeleceu uma meta concreta para o número de assinaturas.
O objetivo é recolher “o número máximo” de assinaturas, de forma a garantir que a iniciativa seja discutida pelo poder político com "seriedade", disse Rui Teixeira.
No seu entender, as empresas têm condições para proceder aos aumentos salariais reivindicados, apontando para a necessidade urgente de "quebrar a injustiça estrutural nos salários".
