CCIPD exige Hospital Central Universitário e segundo Porto Comercial

Na abertura da FICSA 2026, Gualter Couto criticou a governação regional, sobretudo nas acessibilidades e na estratégia económica dos Açores. O presidente da CCIPD e Pedro Nascimento Cabral defenderam investimentos como o HCU e o segundo porto comercial.



Na inauguração da FICSA – Feira da Indústria, Comércio e Serviços dos Açores 2026, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), Gualter Couto, apresentou várias críticas ao atual estado da Região Autónoma dos Açores, centrando o discurso na governação regional, nas acessibilidades e na necessidade de maior ambição política e económica.

Em declarações no pavilhão da FICSA nas Portas do Mar, Gualter Couto apresentou várias reivindicações estruturais, sublinhando que “São Miguel e Santa Maria não pedem privilégios”, mas “exigem aquilo que é justo para servir toda a Região”.

Entre as principais exigências destacam-se a construção de um Hospital Central Universitário (HCU) “à altura das necessidades dos Açores”, a criação de um segundo porto comercial e a ampliação da aerogare de Ponta Delgada. O dirigente empresarial defendeu ainda uma revisão profunda da Lei das Finanças das Regiões Autónomas, considerando-a desajustada à realidade atual do arquipélago.

No domínio dos transportes, Gualter Couto apontou a necessidade de um Programa de Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à Insularidade (POSEI) para os transportes marítimos e criticou a ausência de transporte marítimo de passageiros no grupo oriental, referindo que “pagamos e não temos direito”.

Gualter Couto afirma que é necessário separar “áreas que não devem estar juntas”
Ao longo do discurso, o presidente da CCIPD criticou diretamente a atuação do Governo Regional, afirmando que os Açores vivem atualmente “uma instabilidade interna”, provocada por “conflitos permanentes” e pela “ausência de respostas claras aos problemas da Região”. Além disso, realçou que “há uma deriva perigosa para o bairrismo político, alimentada pela falta de firmeza nas decisões do Governo”.

Gualter Couto considerou ainda que a atual situação económica e financeira do arquipélago resulta de decisões políticas e não apenas do contexto internacional, defendendo que “a situação orçamental degrada-se, o défice aumenta, a economia perde dinamismo” e que “isto não é uma fatalidade, é uma consequência”.

O representante dos empresários apontou também falhas ao nível do turismo e das acessibilidades, áreas que considerou fundamentais para o crescimento económico dos Açores.

“Na área do turismo - que foi o grande motor da nossa economia - faltou estratégia, faltou visão, faltou compromisso”, disse, frisando que a economia dos Açores cresceu entre 2016 e 2025, com um “contributo absolutamente extraordinário do turismo”.

Relativamente aos transportes, deixou uma das críticas mais fortes da intervenção, ao declarar que “nas acessibilidades falhou-se de forma grave”, acrescentando que “quem falha nas acessibilidades, falha na economia, falha na prosperidade, falha no futuro”.

Gualter Couto criticou igualmente a estrutura do executivo regional, considerando que há “áreas que não devem estar juntas”, o que, na sua perspetiva, prejudica a eficácia da governação. “A economia não pode estar misturada com as finanças e a reforma da administração pública” e “nunca o turismo pode estar misturado com as obras públicas, os transportes aéreos e marítimos e ainda com a energia”, afirmou.

“A Região precisa mais do que nunca de liderança, mas também precisa de exigência coletiva, de coragem dos nossos deputados e de uma forte oposição”, salientou.

O representante dos empresário realça que os Açores saíram de forma “airosa e competente” da pandemia da Covid-19, mas afirma que não se prepararam para o “que vinha ser o Covil 26”. “Tudo se aceita quando as palavras dadas confluem, mas na falta de convergência o que deveria ser uma palavra de verdadeira honra é a palavra dada aos açorianos”, acrescentou.

No final, deixou ainda um apelo à “liderança, visão, coragem e ambição” para os Açores, defendendo que o problema da Região “não é falta de talento nem de capacidade”.

Pedro Nascimento Cabral reivindica igualmente vários investimentos
O presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, defendeu  vários investimentos estruturantes para São Miguel e para os Açores, como o Hospital Central Universitário, melhores acessibilidades marítimas, estrada digna entre Ponta Delgada e Mosteiros,  ampliação e melhores condições do aeroporto de Ponta Delgada.

O autarca sublinhou que estas reivindicações “não são uma questão de bairrismo”, mas sim necessidades essenciais para o desenvolvimento económico e social da Região.

Maria João Carreiro realça importância da qualificação profissional para os Açores
A secretária regional da Juventude, Habitação e Emprego, Maria João Carreiro, destacou na inauguração da FICSA 2026 a importância da qualificação profissional e do emprego de qualidade para o desenvolvimento económico dos Açores.

A secretária considerou que “não há economia forte sem trabalhadores qualificados” e defendeu que investir na formação “é investir nas pessoas e garantir um futuro mais sólido para todos, incluindo para as empresas”.

Edição deste ano com foco nas qualificações
Segundo Gualter Couto, a FICSA 2026 afirma-se como o “o maior e o mais importante espaço de exposição de atividades económicas” que se realiza nos Açores. O evento reúne este ano mais de uma centena de empresas, instituições e artesãos, ocupando o espaço das Portas do Mar, em Ponta Delgada.

A feira decorre entre 8 e 14 de maio e inclui 122 stands empresariais, 56 espaços de artesanato e diversas áreas temáticas, incluindo restauração e animação cultural. A organização estima ultrapassar os 30 mil visitantes ao longo da semana.

A edição deste ano tem como tema central as “Qualificações”, procurando chamar a atenção para os desafios da formação e capacitação da população açoriana. Nesse contexto, foi criado o “Espaço Qualificações”, desenvolvido em parceria com a Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego, com o objetivo de aproximar jovens e empresas.

Entre as novidades destaca-se ainda o espaço “FICSA À MESA”, dedicado à gastronomia regional, que surge como uma das principais atrações da feira.

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