Casa da Madeira nos Açores em risco de fechar por falta de financiamento

A Casa da Madeira nos Açores, que no sábado comemora 30 anos com a presença de dois antigos presidentes dos governos regionais, corre o risco de fechar por falta de financiamento, anunciou hoje a direção.


“Infelizmente, pode [fechar portas]. Nós recebemos uma subvenção muito pequena, cerca de quatro mil euros por ano e não nos permite ter nenhum horizonte”, disse à agência Lusa o vice-presidente da Casa da Madeira nos Açores, Mário Perfeito, acrescentando que no arquipélago vivem cerca de 300 madeirenses e a instituição tem 130 sócios, mas “muitos não pagam a quota mensal de dois euros”.

Fundada em 1986 em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, o espaço tem por finalidade promover a Madeira e a sua cultura no arquipélago açoriano, e reunir os madeirenses residentes nos Açores, dando-lhes apoio moral e social.

Mário Perfeito, 58 anos, reformado e a viver há dois anos nesta ilha, adiantou que o contrato-programa entre a instituição e o Governo Regional da Madeira define que a verba anual destina-se a apoiar atividades culturais, desportivas, entre outras, salientando que no passado “houve membros da direção que tiveram mesmo de pagar do seu próprio bolso despesas da água, luz e telefone”.

O responsável referiu, ainda, que a Casa da Madeira nos Açores “não tem condições para ter ninguém em permanência” ou a tempo parcial, apesar de já ter sido solicitado ao executivo madeirense, liderado por Miguel Albuquerque, a possibilidade de deslocar um funcionário público, ao abrigo da lei de mobilidade.

O objetivo era “dar apoio aos estudantes e a quem necessitasse” incluindo pescadores da Madeira que residem nos Açores e cuja situação social é desconhecida, adiantou Mário Perfeito.

Entre as ambições futuras da atual direção está a mudança de instalações em Ponta Delgada, dado que o atual imóvel, propriedade da Região Autónoma da Madeira, “é antigo e precisa de obras”, e a criação de núcleos nas restantes ilhas açorianas.

A promoção de um encontro anual de madeirenses nos Açores e, em 2017, escrever um memorando das Casas da Madeira nos Açores, Lisboa, Norte e Coimbra, para que o executivo madeirense fique a par da real situação destas instituições, são outros dos objetivos da instituição.

Do programa comemorativo dos 30 anos da Casa da Madeira nos Açores, Mário Perfeito destacou a homenagem aos 13 sócios fundadores e a presença dos antigos presidente dos governos regionais da Madeira e dos Açores Alberto João Jardim e Mota Amaral.

“Há 30 anos foram eles os precursores da casa, foram eles que, enquanto presidentes dos governos regionais, fizeram com que, efetivamente, se concretizasse o desejo de muitos madeirenses que na altura já viviam em São Miguel”, considerou Mário Perfeito, acrescentando que “será a primeira vez que o dr. Alberto João Jardim entra na atual sede”.

Mário Perfeito lamentou, ainda, que nem o presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, nem nenhum outro membro do seu executivo marquem presença na iniciativa de sábado.

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Na apresentação das Festas do Senhor Santo Cristo deste ano, o reitor do Santuário, o cónego Manuel Carlos Alves, afirmou que “não podemos ignorar a urgência da oração pela paz”, num tempo em que “até os cristãos se deixam envolver por discursos radicais, polarizadores e promotores de guerra”. Situação nos EUA pode trazer menos emigrantes