Capela do Rato junta dezenas de pessoas em debate sobre abusos sexuais na Igreja

A Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAVT), Cristina Soeiro, num debate esta noite na Capela do Rato, em Lisboa, defendeu a importância de abordar o tema da "sexualidade satisfatória", lembrando que o tabu "protege os agressores".



Na segunda mesa redonda dedicada aos abusos sexuais na Igreja, promovida pela comunidade da Capela do Rato, a perita forense em tribunal em casos de crimes sexuais, especialista superior no Instituto de Polícia Judiciária e Ciências Criminais, falou sobre a importância do processo educativo e de o tema sexualidade não ser um tabu.

"A Igreja tem um papel fundamental nisto", defendeu, explicando ainda que as crianças não têm todas o mesmo padrão de resposta a uma situação de violência sexual.

O Padre Alexandre Palma, Professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica, onde é Diretor e Investigador do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião e membro da equipa formadora do Seminário dos Olivais, defendeu, por sua vez que o seminário é só uma etapa na formação sacerdotal.

Paulo Câmara, Docente Colaborador na Faculdade de Direito da Universidade Católica e um dos promotores da Vigília de Oração, frente aos Jerónimos, para manifestar a proximidade da comunidade leiga com as vítimas, foi o terceiro convidado para o encontro, tendo enaltecido a criação do programa Vita, um grupo que vai acompanhar as vítimas de abuso na Igreja.

O Grupo Vita, liderado pela psicóloga Rute Agulhas, vai encaminhar as denúncias de abusos de padres sobre menores ao Ministério Público e para os responsáveis da Igreja Católica, acompanhando as vítimas de abuso na Igreja.

Este grupo dá seguimento ao trabalho da Comissão Independente que era liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht e que, ao longo de quase um ano, validou 512 dos 564 testemunhos recebidos, apontando, por extrapolação, para um número mínimo de vítimas da ordem das 4.815.

Vinte e cinco casos foram reportados ao Ministério Público, que deram origem à abertura de 15 inquéritos, dos quais nove foram já arquivados, permanecendo seis em investigação.

Estes testemunhos referem-se a casos ocorridos entre 1950 e 2022, período abrangido pelo trabalho da comissão.

Na sequência destes resultados, algumas dioceses afastaram cautelarmente do ministério alguns padres.


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