Câmara de Comércio de Angra Heroísmo critica Plano de Seca dos Açores

A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo considerou que o Plano de Seca e Escassez de Água dos Açores “peca por defeito” ao não integrar o “impacto crescente” do setor do turismo



Em comunicado, o organismo reconhece a “importância de antecipar cenários de escassez” e promover uma gestão “mais eficiente de um recurso cada vez mais estratégico”, mas considera que o plano “peca por defeito, ao não integrar de forma clara e prospetiva o impacto crescente do setor do turismo no consumo de água na região”.

“Ainda que o turismo surja atualmente com um peso relativo de 6%, o que nos parece claramente ultrapassado, importa sublinhar que este valor deve ser analisado à luz de duas realidades essenciais: por um lado, o forte crescimento do setor nos últimos anos; por outro, a intensidade do consumo por utilizador”, refere a Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo.

A 31 de março, o Governo Regional anunciou a elaboração um Plano de Gestão de Secas e Escassez dos Açores (PSE-Açores), pioneiro no país.

Segundo adiantou na altura o secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, o plano será “um instrumento estratégico de planeamento pioneiro a nível nacional, que tem por objetivo preparar a região para enfrentar situações de escassez hídrica de forma organizada, preventiva e eficaz”.

Na nota divulgada, a Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo recorda que tem vindo a defender que a sustentabilidade do destino Açores “depende de um equilíbrio entre crescimento económico e preservação dos recursos naturais”.

Nesse sentido, acrescenta, o documento “Turismo: um compromisso com a sustentabilidade”, apresentada pela Câmara do Comércio em 2023, pretendia “responder a este desafio, criando um mecanismo de financiamento dedicado à proteção ambiental, à melhoria de infraestruturas, promoção externa e à gestão eficiente de recursos críticos como a água”.

Essa proposta, “além de alinhada com boas práticas internacionais, permitiria também dar resposta a uma fragilidade evidente do atual plano: a ausência de um modelo claro de financiamento para os investimentos identificados”, salienta o organismo, recordando que a implementação dessa “taxa poderia gerar receitas na ordem dos 25 milhões de euros anuais, contribuindo diretamente para políticas de sustentabilidade e mitigação de impactos ambientais”.

“O turismo deve ser assumido como uma variável central e estratégica na gestão dos recursos hídricos, e não apenas residual, sendo fundamental incorporar uma visão prospetiva, antecipando o crescimento do setor e o seu impacto no consumo de água”, defende ainda a Câmara do Comércio e Indústria.

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