Bispos vão a Roma "prestar contas" ao Papa

Bispos vão  a Roma  "prestar contas" ao Papa

 

Lusa / AO online   Nacional   2 de Nov de 2007, 15:40

Os 21 bispos portugueses começam a ser recebidos sábado, em Roma, pelo papa Bento XVI no âmbito da chamada visita "Ad limina", que se realiza habitualmente de cinco em cinco anos.
Porém, a última visita em que os bispos portugueses foram recebidos pelo chefe da igreja Católica teve lugar há oito anos, pelo que a maioria dos prelados vai agora participar pela primeira vez neste ritual: doze dos 21 bispos assumiram o cargo desde 2000.
O primeiro grupo a ser recebido, sábado, será constituído pelos titulares das dioceses de Bragança-Miranda, Aveiro, Braga, e Coimbra.
As audiências prolongam-se até ao dia 12, intercaladas por outras iniciativas, como momentos culturais e visitas a lugares de culto do Vaticano.
O Papa Bento XVI já recebeu de cada um dos bispos portugueses um relatório relativo às respectivas dioceses e do conjunto será feita a análise do Catolicismo em Portugal.
Embora o balanço seja ainda desconhecido, ao portal de informação da Igreja Católica, Ecclesia, o Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Carlos Azevedo, antecipou a imagem que os bispos levarão ao Papa.
Desde a última visita "Ad limina" mudaram em Portugal mais de metade dos titulares das dioceses, mas para o secretário da CEP "as doze dioceses que mudaram de bispo não revelam um dinamismo pastoral inovador".
"Não basta mudar de pastor", refere, acrescentando que em Portugal ainda existe "uma perspectiva demasiado clerical e muita desconfiança dos leigos".
D. Carlos Azevedo frisa não ser possível fazer um retrato fiel da realidade pastoral portuguesa, já que existem apenas alguns dados referentes às dioceses do Anuário Católico e algumas estatísticas.
Entende, no entanto ser possível concluir que nos últimos anos "há um decréscimo da frequência da prática dominical, dificuldade de relação com a juventude e com as questões da família, e decréscimo de seminaristas e ordenações", sobretudo desde o ano 2000.
A última visita "Ad limina" dos bispos portugueses foi em 1999 e desde então o país assistiu, segundo dados revelados pela ECCLESIA, à quebra progressiva do número de baptismos e de ordenações sacerdotais.
De acordo com a fonte, de 2000 a 2005, o número de sacerdotes diocesanos baixou de 3.159 para 2.934 (menos 225), enquanto que o clero religioso manteve praticamente o mesmo número.
A situação de 2005 mostra que por cada dois padres que morrem (nesse ano foram 80), apenas um é ordenado (41 novos sacerdotes).
Há ainda a registar uma média de cinco desistências por ano.
Apesar desta quebra no número de padres, a esmagadora maioria das mais de quatro mil paróquias continuam confiadas à administração sacerdotal (99,54 por cento) e apenas 20 paróquias são administradas pastoralmente por diáconos, religiosas e leigos, refere ainda o portal da Igreja.
O número de seminaristas de filosofia e teologia desceu de 547, em 2000, para 457, em 2005.
A fonte revela ainda que mais de nove milhões de portugueses, quase 90 por cento da população, são católicos mas apenas dois milhões são praticantes.
Segundo dados da CEP, em 2005, existiam em Portugal 50 Bispos, 2.934 padres diocesanos, 1.050 padres de institutos religiosos, 174 diáconos permanentes, 321 religiosos professos e 5890 religiosas professas.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.