Religião

Bispos portugueses começam hoje "peregrinação" a Roma


 

Lusa / AO online   Nacional   3 de Nov de 2007, 10:29

Os Bispos da Conferência Episcopal Portuguesa iniciam hoje uma visita de 10 dias ao Vaticano, uma tradição que remonta ao século IV e que é feita de cinco em cinco anos .
    Esta visita, denominada Ad sacra limina apostolorum, que decorre de 03 a 12 de Novembro, tem como objectivo venerar os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, apresentar ao papa o "Relatório Quinquenal do Estado da Diocese" e realizar encontros com os dicastérios da Cúria Romana para tratar de questões pastorais relativas à sua diocese.

    Dos 49 Bispos em Portugal (21 residenciais, 8 auxiliares e 20 eméritos), marcarão presença no Vaticano 35.

    O Cardeal Patriarca de Lisboa, D.José Policarpo, acompanhado dos seus três bispos-auxiliares, integra o colectivo dos bispos portugueses na visita à Santa Sé.

    No âmbito da Ad Sacra limina, a primeira do século XXI, foi enviado a cada uma destas instâncias um relatório sobre a situação da diocese.

    Embora o balanço seja ainda desconhecido, ao portal de informação da Igreja Católica, Ecclesia, o Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Carlos Azevedo, antecipou a imagem que os bispos levarão ao Papa.

    Desde a última visita "Ad limina" mudaram em Portugal mais de metade dos titulares das dioceses, mas para o secretário da CEP "as doze dioceses que mudaram de bispo não revelam um dinamismo pastoral inovador".

    "Não basta mudar de pastor", refere, acrescentando que em Portugal ainda existe "uma perspectiva demasiado clerical e muita desconfiança dos leigos".

    Nos últimos anos "há um decréscimo da frequência da prática dominical, dificuldade de relação com a juventude e com as questões da família, e decréscimo de seminaristas e ordenações", sobretudo desde o ano 2000, segundo D. Carlso Azevedo.

    A última visita "Ad limina" dos bispos portugueses foi em 1999 e desde então o país assistiu, segundo dados revelados pela ECCLESIA, à quebra progressiva do número de baptismos e de ordenações sacerdotais.

    De acordo com a fonte, de 2000 a 2005, o número de sacerdotes diocesanos baixou de 3.159 para 2.934 (menos 225), enquanto que o clero religioso manteve praticamente o mesmo número.

    A situação de 2005 mostra que por cada dois padres que morrem (nesse ano foram 80), apenas um é ordenado (41 novos sacerdotes).

    Há ainda a registar uma média de cinco desistências por ano.

    Apesar desta quebra no número de padres, a esmagadora maioria das mais de quatro mil paróquias continuam confiadas à administração sacerdotal (99,54 por cento) e apenas 20 paróquias são administradas pastoralmente por diáconos, religiosas e leigos, refere ainda o portal da Igreja.

    O número de seminaristas de filosofia e teologia desceu de 547, em 2000, para 457, em 2005.

    A fonte revela ainda que mais de nove milhões de portugueses, quase 90 por cento da população, são católicos mas apenas dois milhões são praticantes.

    Segundo dados da CEP, em 2005, existiam em Portugal 50 Bispos, 2.934 padres diocesanos, 1.050 padres de institutos religiosos, 174 diáconos permanentes, 321 religiosos professos e 5890 religiosas professas.

    Os Bispos portugueses começam a ser recebidos pelo Papa, em pequenos grupos, sendo os primeiros os de Aveiro, Braga, Bragança-Miranda e Coimbra, segundo o programa oficial. Os Bispos de Lamego, Porto, Viana do Castelo e Vila Real serão recebidos domingo, os de Viseu, Évora, Beja e Algarve na quinta-feira e, no dia seguinte, será a vez dos bispos de Angra, Funchal, Guarda e Lisboa.

    Os prelados de Leiria-Fátima, Santarém e Portalegre-Castelo Branco serão recebidos no dia 10 de Novembro e, por último, no dia 12, os bispos de Setúbal e do Ordinariato Castrense.
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