Bispo de Angra alerta para “abalos” que continuam a marcar a realidade açoriana

O bispo de Angra sublinhou, na celebração dos 492 anos da diocese, o despovoamento das ilhas, a saída dos jovens e as dificuldades de coesão como sendo alguns dos “abalos” que continuam a marcar os Açores.




Na homilia da celebração eucarística que assinalou os 492 anos da Diocese de Angra, na terça-feira, na Sé Catedral, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, Armando Esteves Domingues sublinhou também o desalento perante problemas que “permanecem por resolver e que correm o risco de se tornar crónicos”.

Segundo uma nota publicada na página oficial da diocese, na homilia, o prelado diocesano alertou para os “terramotos” que continuam a abalar os Açores na sua identidade mais profunda, apontando o “despovoamento das localidades, a partida dos jovens, a falta de vocações e a dificuldade em construir relações num território marcado pela fragmentação”, como sendo alguns dos principais desafios que se colocam à região.

O bispo reconheceu que a fidelidade da comunidade diocesana foi sendo posta à prova ao longo da história por vários abalos, “não apenas os terramotos naturais, que deixaram marcas nas pessoas e nos edifícios, incluindo na própria catedral, mas também por problemas sociais e demográficos que continuam a afetar o arquipélago”.

Na celebração do aniversário da diocese, Armando Esteves Domingues destacou que não se trata apenas de recordar a criação da instituição, a 03 de novembro de 1534, mas de “celebrar o memorial do amor e da graça de Deus que, ao longo de quase cinco séculos, continua a marcar a vida da comunidade diocesana”.

Também chamou a atenção para as fragilidades existentes nas comunidades, desde o afastamento e a indiferença de alguns cristãos às dificuldades enfrentadas por famílias, idosos, pessoas em situação de pobreza e jovens.

“Sabemos que as comunidades e os seus ritmos não são todos iguais. Cada uma tem a sua história, mas já há, em todas, cristãos que se afastaram ou se tornaram indiferentes, há famílias com fragilidades, há pobres, idosos, mas também jovens em dificuldade”, referiu, citado na nota.

O bispo de Angra defendeu que a resposta aos problemas sociais “exige o envolvimento de todos”, salientando que desafios como a atual crise da habitação “não podem ser resolvidos por uma única entidade, nem mesmo pelo Governo sozinho”.

“Todos são necessários”, disse, apelando à responsabilidade de cidadãos e de instituições e à dimensão social da propriedade e dos bens, que podem estar ao serviço de mais pessoas.

A diocese de Angra, com 17 ouvidorias e 165 paróquias, abrange uma superfície total de 2.243 quilómetros quadrados distribuída pelas nove ilhas açorianas.


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