Manuel Pavão, líder da UG/Açores, referiu que “a expectativa é que o Governo vá mais além do acordado”, contemplando os valores propostos, “além da atualização do subsídio de refeição e ajudas de custo”.
O dirigente - que apresentava em Ponta Delgada o caderno reivindicativo da UGT/Açores para 2027 - referiu que, “perante a subida da inflação para valores superiores ao previsto inicialmente”, é defendido, “para assegurar a manutenção do poder de compra, um salário mínimo de 1.050 euros".
Acresce a valorização dos níveis remuneratórios “acima do salário mínimo, em 5,5%, não inferior a 55 euros, combatendo-se assim a compressão salarial que se tem agravado de ano para ano”.
Manuel Pavão admitiu que “a intenção da subida do salário mínimo no acordo plurianual, era que, sendo este estabelecido por lei e obrigatório, que empurrasse os outros [salários] para cima”.
“O que está a acontecer é que aquele sobe [salário mínimo] e os outros [salários acima] estão a ser todos apanhados, estando a haver um efeito de esmagamento, levando à desmotivação, desincentivo dos trabalhadores e até mal-estar dentro das próprias empresas”, afirmou.
O sindicalista admitiu um novo recurso à greve se o salário mínimo na administração pública não passar para 1.050 euros em 2027.
O dirigente da UGT/Açores adiantou a necessidade de concluir o processo de negociação coletiva de alguns acordos de empresa relativos a 2025, que “respeite pelo menos o valor da remuneração mínima garantida, ou seja 52,50 euros”.
Manuel Pavão afirmou que “há que garantir os direitos e interesses dos trabalhadores no processo negocial das privatizações anunciadas ou em curso”, como é o caso da Azores Airlines, Sata Handling, SEGMA, Globaleda e campos de golfe.
Deve-se ainda, segundo o sindicalista, “na mesma linha acautelar esses desígnios após as conclusões do estudo técnico encomendado à consultora Deloitte para analisar fusões, extinções, privatizações ou reestruturações da Atlanticoline, Portos dos Açores, Lotaçor IROA e IAMA”.
Manuel Pavão manifestou também “preocupação com o reduzido montante previsto na anteproposta do Plano de Investimentos para a região em 2027, o mais baixo desde 2011, que poderá comprometer projetos estruturantes e oportunidades de desenvolvimento após o encerramento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.
O sindicalista reivindicou “meios financeiros suficientes e capacidade efetiva para definir e gerir prioridades” no quadro dos fundos comunitários e face à condição de região ultraperiférica dos Açores.
A habitação constitui outra das preocupações da UGT/Açores, tendo o sindicalista afirmado que “o próprio PRR não teve o êxito que se esperava, designadamente na construção de habitação, justamente por falta de resposta do mercado” relativa a problemas de mão-de-obra.
Manuel Pavão preconizou mais terrenos para habitação a custos controlados, a par de “medidas políticas e administrativas para acelerar a construção de habitação”.
