Política

Berta Cabral acusa Carlos César de ter discurso com "laivos machistas"


 

Lusa/AO online   Regional   13 de Out de 2008, 01:08

A cabeça-de-lista do PSD por São Miguel, Berta Cabral, acusou o líder do PS/Açores de ter tido um discurso "com laivos machistas" depois dos social democratas terem introduzido o tema da crise na campanha.
"O nosso presidente [do Governo Regional] diz que a crise não passa por aqui, reage mal, de forma desbragada, num discurso mal-educado, que até chega a ter laivos de machista, porque [diz] ‘ela para cá ela para lá’, se fosse um homem ele não dizia assim. É machista sim senhor", afirmou Berta Cabral.
“Nem os socialistas gostaram da forma como o presidente do governo tratou institucionalmente uma candidata do PSD às eleições regionais", acrescentou. 
A autarca de Ponta Delgada e candidata do PSD por São Miguel ao parlamento açoriano nas eleições de 19 de Outubro, falava antes do jantar-comício na Casa do Povo da Fazenda, no concelho do Nordeste.
Num discurso muito aplaudido, Berta Cabral disse que "a crise está aí à porta, embora alguns não queiram ouvir falar nela", acrescentando que o PSD pôs "o dedo na ferida e como ela doeu tivemos um presidente do governo regional nervosíssimo com o facto de termos trazido para a agenda da campanha eleitoral uma questão que é incontornável". 
"A crise está em todo o lado. Por mais que ponham o director do emprego a dizer que não é verdade. Bem se vê que o governo não anda na rua, que está fechado na redoma do Palácio de Santana [sede da presidência do Governo açoriano]", afirmou Berta Cabral, ao defender que é preciso criar um plano de apoio capaz de resolver as situações antes que elas se agravem ainda mais.
Apesar de não aceitar lições de economia de ninguém, a candidata social-democrata considerou que Carlos César "bem precisava" de tirar um curso de economia e "já agora que o tire numa boa universidade. Não escolha a mesma que o Sócrates escolheu para tirar um curso de engenharia".
Segundo Berta Cabral, foi o líder do PS/Açores que disse no Pico que era bom que o discurso de campanha se mantivesse elevado, mas no dia seguinte fez "um discurso de baixo nível, dando um tiro no pé".
"Quem não se dá ao respeito não pode esperar ser respeitado pelos outros", defendeu Berta Cabral, assegurando, porém, que "nunca descerá ao nível do candidato do PS/Açores a presidente do Governo Regional".
O líder do PSD/Açores, Carlos Costa Neves, estranhou o facto dos jornais darem conta que foi graças aos socialistas que a crise passou ao lado do arquipélago, alegando que ainda consegue surpreender-se com "a falta de vergonha do socialistas".
"Eu sei que realmente a crise se sente nos Açores, mas ao mesmo tempo vejo um governo regional a dizer que graças ao PS o desenvolvimento está a passar ao lado dos Açores", afirmou Costa Neves, acrescentando que é graças ao PS que os Açores “estão a passar ao lado do desenvolvimento. Isso é o que os açorianos me dizem todos os dias".
O aumento do número de desempregados, o custo de vida, os juros, os salários em atraso, tudo confirma a existência da crise, segundo o candidato do PSD a presidente do Governo Regional, para quem o PS "não consegue baralhar os dados, porque a vida está difícil".
Costa Neves lamentou que numa conferência de imprensa dada pelo director regional do Emprego e Qualificação Profissional na semana passada para analisar a questão dos salários em atraso de várias empresas, tenha tido ao seu lado um representante da entidade patronal.
"Felizmente há outros representantes de entidades patronais que não têm medo de falar verdade e não têm medo de defender aqueles que representam", salientou. 
A ilha de São Miguel, onde vivem cerca de 132 mil habitantes, elege a 19 de Outubro 19 deputados para o parlamento açoriano.

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