Barreira para conter e desviar as algas está a ser testada na baía de Porto Pim

Barreira retém as algas e encaminha-as para arrojamento numa zona onde a sua recolha fica mais facilitada e pode ser feita em maior segurança



Se a ‘alga asiática’, que invadiu o mar dos Açores, pode ser matéria-prima renovável para a produção de um biocombustível, contribuindo desta forma para a limpeza das costas e praias açorianas, primeiro é preciso recolhê-la em segurança. 

Nesse sentido, a baía de Porto Pim, na cidade da Horta, bastante fustigada por esta alga invasora, está a servir para a realização de uma experiência com o recurso a uma barreira que retém as algas e as encaminha para arrojamento numa zona onde a sua recolha pode ser feita com maior segurança. 

Conforme explica em declarações ao Açoriano Oriental António Neto, sócio-gerente da Ad Mare Solutions, “estas barreiras têm dupla malha reforçada para as águas do Atlântico”, tendo a baía de Porto Pim sido escolhida juntamente com o Governo Regional como o local ideal para fazer a primeira experiência com estas barreiras nos Açores.  

Objetivo é “de uma forma natural encaminhar as algas que entram aqui na baía para a rampa da baía de Porto Pim para, de uma forma mais prática, serem recuperadas e não arrojarem na praia”, explica António Neto. 

A utilização destas barreiras, pode ser importante na recolha das algas, uma vez que, afirma António Neto, “as condições atmosféricas são muito variáveis, as zonas de rebentação são muito fortes e não se pode arriscar a vida das pessoas para irem recolher as algas às rochas, portanto terão que ser recolhidas em determinados pontos que ofereçam segurança”.

O Porto Velho, na Vila da Madalena, na ilha do Pico, também poderá ser um bom local para a instalação de uma barreira de retenção e desvio das algas.

Refira-se, por fim, que a produção de biocombustível não é o único recurso que pode ser extraído da ‘alga asiática’, uma vez que  durante o processo de destilação da alga para a produção de etanol, sobra muita água quase pura, que poderá ser utilizada no combate aos incêndios, em regas durante o verão,  ou até pelas unidades hoteleiras. 

Além disso, a alga invasora também pode ser transformada num material de isolamento para habitações, a exemplo do que já acontece na Alemanha, com o recurso a outro tipo de algas. E em Espanha, as algas também são utilizadas na produção de aglomerados para a construção de mobiliário. 

Portanto, conclui o sócio-gerente da Ad Mare Solutions, “há muitas aplicações” possíveis para a alga invasora. 

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