Autor de disparos em jantar de gala em Washington criticou Trump em mensagens à família

O homem que abriu fogo no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca criticou duramente as políticas do Governo Trump e autointitulou-se um “Assassino Federal Amigável”, em mensagens enviadas a familiares minutos antes do ataque



Por essa razão, as autoridades norte-americanas acreditam cada vez mais que o ataque teve motivações políticas, indicou um agente da autoridade próximo da investigação, que solicitou o anonimato, citado pela agência noticiosa The Associated Press (AP).

As mensagens, enviadas pouco antes dos disparos no sábado à noite no Washington Hilton, faziam repetidas referências ao atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sem o mencionar diretamente e incluíam queixas sobre uma série de ações governamentais e acontecimentos recentes, incluindo ataques norte-americanos a barcos de tráfico de droga no Pacífico Leste, declarou o agente.

Os investigadores estão a tratar as mensagens, juntamente com uma série de publicações nas redes sociais e entrevistas com familiares, como algumas das provas mais claras até agora sobre o estado de espírito e os possíveis motivos do suspeito.

As autoridades descobriram também o que o agente descreveu como inúmeras publicações contra Trump nas redes sociais ligadas ao suspeito, Cole Tomas Allen, um engenheiro mecânico de 31 anos do estado da Califórnia, acusado de tentar passar a segurança do jantar transportando várias armas.

O irmão de Allen contactou a polícia de New London, no estado do Connecticut, após receber as mensagens, segundo o responsável.

Num comunicado, o Departamento de Polícia de New London indicou que foi contactado às 22:49 de sábado (03:49 de hoje em Lisboa), cerca de duas horas após o tiroteio, por um indivíduo que queria partilhar informações relacionadas com o caso, e que imediatamente notificou as autoridades federais.

A polícia federal entrevistou também, no estado de Maryland, a irmã de Allen, que disse aos investigadores que o irmão tinha comprado legalmente várias armas numa loja na Califórnia e as tinha guardado na casa dos pais, em Torrance, sem o conhecimento deles.

Ela descreveu o irmão como propenso a fazer declarações radicais, indicou o responsável citado pela AP.

Allen adquiriu legalmente uma pistola semiautomática de calibre 38 milímetros em outubro de 2023 e uma espingarda de calibre 12 dois anos depois.

As autoridades ainda estão a tentar determinar quão específicos eram os alegados alvos de Allen: os investigadores estão a analisar se as suas críticas e queixas se centravam em Trump e no vice-presidente norte-americano, JD Vance, pessoalmente ou se refletiam uma hostilidade mais generalizada em relação ao Governo.

Pensa-se que Allen tenha viajado de comboio da Califórnia para Chicago e depois para Washington, D.C., onde se hospedou com alguns dias de antecedência no hotel onde decorreria o jantar de gala, com o seu habitual dispositivo de segurança reforçado, disse o procurador-geral interino, Todd Blanche.

Pensa-se que terá agido sozinho, e será na segunda-feira presente a tribunal para ser informado das acusações criminais.

Depois de entrevistarem familiares de Allen e analisarem os aparelhos eletrónicos e as mensagens do atirador, os agentes policiais acreditam, numa avaliação preliminar, que este pretendia atacar os membros do Governo presentes no jantar.

Tentou invadir o enorme salão de baile do Washington Hilton, mas foi derrubado, numa cena violenta que resultou em tiros, Trump a ser retirado apressadamente do palco ileso e os convidados a protegerem-se debaixo das mesas.

“Parece que ele pretendia realmente atacar as pessoas que trabalham no Governo, provavelmente incluindo o Presidente”, declarou o procurador-geral interino ao programa “Meet the Press”, da estação televisiva NBC.


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