Automóveis híbridos e elétricos representam quase metade das vendas dos ligeiros

Venda de automóveis ligeiros novos híbridos e elétricos tem crescido na Região, contabilizando 45,5% do total das vendas do primeiro semestre do ano. Antero Rego, do Grupo Ilha Verde, salienta que as marcas e a legislação da UE têm impulsionado para a venda destes veículos



A venda de automóveis ligeiros novos híbridos e elétricos tem registado um crescimento nos últimos anos na Região Autónoma dos Açores. Segundo dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), ao longo dos primeiros seis meses de 2026, foram vendidos 639 ligeiros elétricos e 614 ligeiros híbridos, contabilizando 1253 veículos ligeiros.

No total do primeiro semestre, foram vendidos 2751 veículos ligeiros, ou seja, a venda de veículos elétricos e híbridos corresponde a cerca de 45,5% do total de vendas nos primeiros seis meses de 2026.

Ainda assim, os veículos ligeiros a gasolina representam 1238 vendas (cerca de 45% do total das vendas no primeiro semestre). Por sua vez, os veículos a diesel (gasóleo) correspondem a 260 vendas na Região (aproximadamente 9,4% do total dos ligeiros).

Nos últimos anos, os veículos elétricos e híbridos têm registado um aumento no número de vendas no arquipélago.

Conforme os dados publicados no SREA, em 2016, foram vendidos oito ligeiros elétricos e 75 híbridos, correspondendo a cerca de 1,9% do total dos 3896 veículos novos ligeiros vendidos há 10 anos. 

A primeira vez que ultrapassou a marca dos 10% foi em 2021, quando foram vendidos 265 elétricos e 218 híbridos, registando 483 vendas deste tipo de veículos em 3467 do total de vendas há cinco anos (13,9% do total).

No ano passado, os stands de automóveis venderam 1016 ligeiros híbridos e 887 ligeiros elétricos, totalizando 1903 vendas destes tipos de veículos. Face ao total de vendas da Região, estes dois modelos representaram aproximadamente 38,8% das vendas de ligeiros nos Açores.

Em sentido contrário, os veículos a gasóleo apresentaram uma grande descida e gradual nas vendas nos últimos anos. Se em 2016 apresentavam um “peso” de 36,5% na venda de veículos ligeiros nos Açores, em 2021 já apresentavam 21,5% do total. Por sua vez, no ano passado, tinham um “peso” de cerca de 11,2% do total.

Legislação da UE e marcas têm incentivado

Em declarações ao Açoriano Oriental, Antero Rego, do Grupo Ilha Verde, salienta que as marcas e a legislação da União Europeia (UE) têm influenciado o aumento de vendas de veículos elétricos e híbridos. 

Recorde-se que as marcas estão a seguir uma legislação de Bruxelas, que pretende uma redução de 90% nas emissões de CO2 (dióxido de carbono) até 2035. Anteriormente, UE pretendia a a proibição total de venda de veículos a combustão a partir de 2035, abandonando essa medida em dezembro do ano passado.

Antero Rego acrescenta que, atualmente, mais de 50% dos veículos disponíveis para venda já são elétricos ou híbridos, sublinhando que a tendência é para aumentar nos próximos anos.

Questionado sobre a diminuição das vendas de veículos a diesel na Região, o empresário salienta que este tipo de motorização apresenta hoje características e vantagens diferentes das de outrora. Se, no passado, para muitos consumidores, a aquisição de um veículo a diesel compensava face a um modelo a gasolina, o cenário é atualmente distinto. 

Antero Rego considera ainda que o diesel continua a ser uma opção mais vantajosa sobretudo para entidades empresariais e utilizadores que percorrem grandes distâncias, mas já não apresenta os mesmos benefícios para o uso quotidiano da generalidade dos utilizadores. Por isso, a oferta do diesel tem diminuído no mercado.

Um dos principais constrangimentos à adoção de veículos elétricos prende-se com as limitações no carregamento em casa. Segundo o empresário, embora o carregamento doméstico seja, geralmente, mais conveniente e económico do que recorrer regularmente aos pontos de carregamento públicos, nem todos os utilizadores dispõem de condições adequadas para instalar um carregador. Além disso, a rede de infraestruturas públicas de carregamento ainda não é suficientemente abrangente.


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