Atlânticoline com quebra de receitas de 61% no primeiro semestre

Os bons resultados nos primeiros meses do ano ajudaram a amenizar as perdas para a Atlânticoline, mas, ainda assim, a transportadora açoriana perdeu 61% das receitas no primeiro semestre de 2020, segundo a empresa.



“O ano 2020 começou com um crescimento significativo da procura, registando-se, nos meses de janeiro e fevereiro, um aumento de 10% no volume de passageiros transportados e 32% nas viaturas, comparando com o período homólogo de 2019”, adiantou à Lusa o presidente do Conselho de Administração da Atlânticoline, Carlos Faias, numa resposta escrita.

Mas a pandemia de covid-19 veio contrariar o crescimento verificado nos primeiros meses do ano e provocou uma quebra nas receitas “de quase 61% no primeiro semestre de 2020”, mesmo com o “excecional desempenho em janeiro e fevereiro”, que “atenua, nesta estatística, a forte quebra verificada desde a chegada dos efeitos da pandemia aos Açores”, apontou o responsável.

A empresa pública ativou o plano de contingência em 05 de março e reduziu as viagens para os serviços mínimos em 13 de março, mas logo no dia 20 teve de suspender a operação.

“Durante a suspensão, foram realizadas viagens apenas para permitir as deslocações por motivos de força maior e com autorização da Autoridade de Saúde Regional”, frisou a transportadora.

A operação regular foi retomada em 06 de maio no grupo Ocidental (Flores e Corvo) e em 29 de maio no grupo Central (Faial, Pico, São Jorge, Terceira e Graciosa), mas “não foi, naturalmente, acompanhada de um retorno da procura ao cenário dos anos anteriores, seja por força das restrições à mobilidade, seja pelo facto de a própria situação dissuadir muitos consumidores de se deslocarem”.

Como reflexo da quebra dos fluxos turísticos na região, “a retoma da operação tem assistido a um aumento tímido e lento do fluxo de passageiros, sendo que estes são, maioritariamente, residentes que se deslocam por motivos laborais e de saúde”.

“Com o avançar do verão, temos assistido a uma maior procura dos residentes por motivos de lazer, fazendo eco do apelo do Governo Regional ao turismo interno, e começam também a surgir alguns turistas vindos do exterior”, afirmou Carlos Faias.

No mês de junho, a Atlânticoline transportou 22.263 passageiros, com uma média diária de 742,“uma redução de cerca de 58%” em relação aos 52.733 transportados no mesmo mês de 2019, altura em que a média diária de passageiros transportados ascendia aos 1.700.

Já a taxa de ocupação média, considerando o número de lugares disponibilizados, que este ano é de 2/3 (dois terços) da capacidade total, passou de 25% em junho de 2019 para 12,5% no mês passado.

Durante o período em que estiveram suspensas as ligações interilhas, “a empresa não procedeu à cobrança dos títulos de viagem”, pelo que “as receitas foram marginais, oriundas apenas do transporte de viaturas e de mercadorias”, adiantou o responsável.

Com a manutenção dos “custos associados à operação”, a empresa recorreu em maio “ao lay-off simplificado em várias modalidades, sendo que, com a retoma, essa medida passou a ser aplicada a um número muito reduzido de trabalhadores”.

Para este ano, foi cancelada a operação sazonal realizada nos anos anteriores com os navios fretados a ligar todas as ilhas dos Açores, à exceção da ilha do Corvo (a chamada Linha Amarela), uma operação que representa “um volume de cerca de 70 mil passageiros e 12 mil viaturas”.

A transportadora continua a operar as linhas regulares no grupo Ocidental e no ‘triângulo’ (Faial, Pico e São Jorge), bem como a linha sazonal que liga as ilhas do ‘triângulo’ à Terceira. Além disso, criou uma rota excecional – a Linha Branca – para ligar as cinco ilhas do grupo Central até meados de setembro.

A empresa espera “fazer face a este período de extrema adversidade, com quedas drásticas ao nível das receitas, garantindo um serviço público de transporte de qualidade e, principalmente, de máxima segurança” para passageiros e colaboradores.

Nesse sentido, foi feito “um grande esforço de otimização dos recursos para garantir a eficácia” da nova linha e foi disponibilizado “um produto promocional destinado às famílias”, a preços mais reduzidos, para as rotas que tenham como origem ou destino as ilhas da Terceira ou Graciosa (as rotas mais longas mantidas este ano).


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