Associação Nacional das PME diz que grantia de 20 mil ME à banca não beneficia famílias e pequenas empresas


 

Lusa / AO online   Economia   19 de Out de 2008, 12:19

 A Associação Nacional das PME criticou o Governo alegando que a garantia de 20 mil milhões de euros dada à banca visa "aumentar unicamente" a liquidez do sector bancário e não se destina às famílias e empresas.
    "No cenário real do país não pode agora [o Governo] dizer que os 20 mil milhões de euros se destinam a servir a nossa economia e as famílias, num discurso de milagre teológico, do pão e do peixe, tanto mais que as famílias e as empresas, a maioria das quais em dificuldades, não têm acesso ao crédito", disse Fernando Augusto Morais.

    Segundo o dirigente, que é também vice-presidente da Confederação Europeia das PME, "há em Portugal 264.527 pequenas e médias empresas, 80 por cento das quais estão com enormes dificuldades financeiras e sem capacidade financeira para ter acesso ao crédito bancário".

    Augusto Morais referiu ainda que "não aparecem medidas reais" para aumentar o nível de confiança daqueles que ainda vão tendo dinheiro para algum investimento.

    Citou o caso da construção civil, que "está quase parada", e os pequenos empreiteiros que "não têm trabalho".

    Neste sector, questionou a capacidade dos proprietários reabilitarem os imóveis degradados, tendo criticado a ineficácia da Lei do Arrendamento Urbano.

    "Os imóveis estão velhos, mas que ninguém é capaz de os reabilitar com rendas de 10 ou 20 euros mensais", sustentou, adiantando que "as últimas medidas para reduzir impostos aos proprietários são mais do mesmo e nada se vai alterar".

    O presidente da Associação Nacional das PME criticou ainda o primeiro-ministro, José Sócrates, por "nada ter feito" desde Setembro de 2007, quando se iniciou a crise do crédito hipotecário de alto risco nos Estados Unidos, uma vez que "a crise era previsível".

    O dirigente empresarial criticou ainda o Governo por considerar que "não preveniu [atempadamente] a economia com reformas estruturais", dando como exemplo a reforma administrativa, que permitiria reduzir a carga fiscal que recai sobre as famílias e as pequenas e médias empresas.

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