Associação apela à criação de plano nacional de reabilitação dos sobreviventes de AVC

A associação Portugal AVC apelou à criação urgente de um plano nacional de reabilitação dos sobreviventes de acidente vascular cerebral, para garantir o acesso equitativo a cuidados de reabilitação atempados, coordenados e de qualidade em todo o país



Segundo dados da Direção-Geral da Saúde, ocorrem anualmente em Portugal entre 25 mil e 30 mil episódios de acidente vascular cerebral (AVC), a primeira causa de morte e principal motivo de incapacidade no país, lembra a Portugal AVC - União de Sobreviventes, Familiares e Amigos, a propósito do Dia Mundial do AVC, que se assinala a 29 de outubro.

Perante esta realidade, a associação assinala a data com um apelo “à definição e implementação urgente de um plano nacional de reabilitação dos sobreviventes de AVC”, para assegurar que “o percurso de cuidados não termina após o tratamento, mas prossegue com uma resposta de reabilitação adequada às necessidades de cada pessoa”.

“Apesar da importância da reabilitação para a recuperação dos sobreviventes de AVC, Portugal continua sem uma estratégia nacional definida e implementada nesta área, apesar de a sua necessidade já ter sido reconhecida por unanimidade no parlamento”, sublinha a associação em comunicado.

A Portugal AVC salienta que “a reabilitação é fundamental para a recuperação e qualidade de vida do sobrevivente de AVC”, mas ressalva que, não se trata apenas de reabilitar as vertentes motoras, comunicativas e cognitivas, por exemplo.

“Pretende-se também que este processo permita combater a depressão, a ansiedade e o isolamento social e promover a reinserção familiar e comunitária”, explica o presidente da Portugal AVC, António Conceição, citado no comunicado.

A associação adianta que a reabilitação pode contribuir para recuperar a autonomia e a independência nas atividades do dia a dia, melhorar a função motora e o equilíbrio, recuperar capacidades de comunicação e linguagem e prevenir complicações secundárias, além de reforçar a confiança dos sobreviventes e apoiar o seu regresso à vida familiar, social e comunitária.

Neste contexto, a Portugal AVC defende que “a reabilitação não deve ser encarada como um custo, mas como um investimento na recuperação, na qualidade de vida e na participação social dos sobreviventes”.

Para a associação, o Dia Mundial do AVC é também uma oportunidade para reforçar a importância do reconhecimento dos sinais de alerta e da atuação imediata perante um possível episódio de AVC.

Em Portugal, os principais sinais de alerta são frequentemente identificados através dos “3 F”: Fala (dificuldade em falar); Face (desvio da face ou da boca); Força (perda de força no braço ou na perna).

Perante o aparecimento súbito destes sintomas, o doente deve contactar o 112 e ativar a Via Verde do AVC, permitindo encaminhar o doente para a resposta hospitalar adequada, aumentando a possibilidade de acesso atempado aos tratamentos indicados.

Para manter a realidade dos sobreviventes de AVC na agenda pública, a Portugal AVC lança a 4.ª edição do Prémio de Jornalismo, que pretende incentivar e reconhecer a qualidade de trabalhos jornalísticos na área da saúde, em Portugal, com destaque para a realidade de quem sofreu um AVC.

Os jornalistas interessados podem consultar o regulamento e apresentar a candidatura até 15 de dezembro de 2027.


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