Arguidos reiteram inocência em declarações finais

Arguidos reiteram inocência em declarações finais

 

Lusa/AO Online   Nacional   2 de Nov de 2009, 16:01

A maior parte dos arguidos do processo Casa Pia reiterou hoje a sua inocência nas declarações finais, a par de acusações às alegadas vítimas que os acusam de abusos sexuais e críticas à maneira como decorreram as investigações.

Só o ex-motorista da Casa Pia Carlos Silvino, o único arguido que confessou os crimes de que é acusado, não fez declarações, afirmando não estar preparado e pedindo para falar na próxima sessão de julgamento.

O apresentador de televisão Carlos Cruz reafirmou "veementemente" a sua inocência e reiterou que nunca conheceu antes do início do processo os outros arguidos e os assistentes do processo, os jovens em cujos depoimentos assentam os principais pontos da acusação.

"Nunca tive práticas homossexuais, nunca abusei de ninguém, jovem ou criança, de nenhum sexo", declarou na 8.ª Vara Criminal do Tribunal Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça de Lisboa.

"Eu conheço a verdade. Quem me acusa conhece essa verdade. Porque me acusa, não sei. Juro solenemente que estou completamente inocente dos factos que constam na acusação, na pronúncia ou na cabeça seja de quem for", rematou.

O médico Ferreira Diniz destacou nas suas declarações a "grande indignação" por ter sido incluído no processo, reiterando que está "completamente inocente" e lamentando que "não tenha sido feita verdadeira investigação".

Ferreira Diniz manifestou "confiança" no tribunal e num veredicto de inocência, dirigindo acusações à jornalista Felícia Cabrita, cuja investigação lançou para a opinião pública os alegados abusos que estiveram na base do processo, à comunicação social em geral e aos assistentes.

"Nunca conseguirei perdoar a quem fez esta acusação", disse, referindo-se especialmente ao juíz da fase de instrução, Rui Teixeira, e manifestando-se "absolutamente convicto da absolvição".

Quanto ao embaixador Jorge Ritto, negou conhecer os jovens que o acusam, negou ter estado alguma vez em Elvas - onde se situa uma casa onde alegadamente terão ocorrido abusos - ou em qualquer apartamento da Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, outro local de alegados abusos.

"Racionalmente, espero a minha absolvição e espero que com o acórdão se vislumbrem os comos e os porquês" do processo, afirmou, referindo ainda que desde que tudo começou, em 2002, viu a "vida social e profissional destruída" em consequência do processo.

O arguido Hugo Marçal fez a declaração mais emotiva, afirmando que só está no processo por ter estado "no dia errado, na hora errada e no sítio errado".

"Juro por Deus, pela vida do meu próprio filho e pela alma da minha mãe que estou inocente", declarou, afirmando que ao procurar Carlos Silvino para o patrocinar cometeu "um erro que levou à prisão, à humilhação e à aniquilação".

Tudo, afirmou, por causa de "meia dúzia de rapazolas pontapeados pela vida e sem valores, as falsas vítimas" que "com apoio extrínseco" mantiveram um "pacto de sangue e silêncio" para acusarem os arguidos em julgamento.

O ex-provedor-adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes afirmou que os assistentes não forneceram "nenhuma prova real" de que tivessem sido abusados por si.

"Sou um homem de bem. Dei tudo o que tinha para mostrar ao tribunal que não cometi estas monstruosidades de que sou acusado", disse.

Gertrudes Nunes, dona da casa de Elvas, reafirmou também a sua inocência: "Não sei como é que isto chegou à minha casa", afirmou.

O julgamento prossegue na próxima sexta-feira, com a sessão dedicada ao processo apenso ao principal, o processo de "Joel", o jovem casapiano que primeiro denunciou os alegados abusos envolvento alunos casapianos.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.