Açores registam a quinta descida homóloga consecutiva nas dormidas

Os Açores iniciaram 2026 com uma nova quebra no turismo, somando o quinto mês consecutivo de descidas nas dormidas em alojamentos turísticos, com menos 9,9% face a janeiro do ano passado, segundo dados do SREA



Os Açores voltaram a registar uma quebra na atividade turística em janeiro, acumulando o quinto mês consecutivo de descidas nas dormidas, segundo os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA).

No primeiro mês de 2026, o conjunto da hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural registou 121,2 mil dormidas, o que representa um decréscimo homólogo de 9,9%.

A descida foi mais expressiva nos mercados internacionais. As dormidas de residentes no estrangeiro totalizaram 54,6 mil (45% do total), traduzindo-se numa quebra homóloga de 15,7%. Já o mercado nacional - responsável por 66,6 mil dormidas (55% do total) - também recuou, ainda que de forma mais moderada (-4,5%).

Entre os principais mercados emissores externos, a Alemanha manteve-se como o maior, com 10,5 mil dormidas, apesar de uma diminuição de 12,2%. Seguiram-se os Estados Unidos (7,4 mil dormidas, -28,9%) e o Canadá (6,1 mil dormidas, -1,1%). Em contraciclo, destacaram-se crescimentos homólogos nas dormidas provenientes da Polónia (+14,9%), Áustria (+8,1%) e Suíça (+5,9%).

Alojamento Local com queda de 18,9% em janeiro
Por tipologia de alojamento, a hotelaria concentrou 77,9 mil dormidas (64,3% do total), registando uma quebra homóloga de 3,8%. Já o alojamento local (AL) apresentou uma descida mais acentuada, com menos 18,9% de dormidas (39,4 mil). O turismo no espaço rural também acompanhou a tendência negativa, com uma redução de 20,5%, fixando-se nas 3,8 mil dormidas.

No caso do alojamento local, 70,4% dos estabelecimentos ativos reportaram ausência de movimento de hóspedes durante o mês de janeiro, um aumento face ao período homólogo.

A ilha de São Miguel continuou a concentrar a maioria da procura, com 83,1 mil dormidas na hotelaria e alojamento local, representando 70,8% do total regional nestes segmentos. Ainda assim, registou uma variação homóloga negativa de 11,2%.

Também as ilhas do Pico (-16,6%), Corvo (-9,9%), Terceira (-6,5%), Flores (-5,5%) e Faial (-3,1%) apresentaram descidas. Em sentido inverso, São Jorge (+19,2%), Santa Maria (+18,2%) e Graciosa (+12,3%) registaram crescimentos.

Na hotelaria, a taxa líquida de ocupação-cama fixou-se nos 20,8%, menos 1,7 pontos percentuais do que em janeiro do ano passado. Os proveitos totais atingiram 5 milhões de euros, com uma ligeira subida homóloga de 1,3%, apesar da quebra nas dormidas.

Açores com a maior descida homóloga do país
Os Açores registaram a maior descida do país. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a Região Autónoma dos Açores apresentou uma diminuição homóloga de 5,8% nas dormidas, o recuo mais acentuado entre as regiões NUTS II, contrastando com o crescimento nacional de 2,0% no mesmo período.

Num mês em que regiões como o Norte (+8,2%) e o Centro (+5,6%) registaram aumentos significativos, os Açores (-5,9%) e o Algarve (-4,7%) destacaram-se pela negativa.

De notar que o INE utiliza um método diferente do SREA: apresenta resultados gerais na hotelaria, alojamento local (apenas 10 e mais camas) e turismo no espaço rural, com estimativas de não-respostas para os três segmentos. Por outro lado, o SREA têm por base as respostas declaradas e a estimativa de não respostas para hotelaria e turismo no espaço rural , enquanto no alojamento local apenas são consideradas as respostas declarada.

ALA exige medidas urgentes face a números “preocupantes”
Mais de 70% das unidades de AL nos Açores não receberam qualquer hóspede em janeiro. O número subiu para 70,4% face aos 65,2% do mesmo mês do ano passado, enquanto as dormidas caíram 18,9%. A Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA) considera os dados “preocupantes” e alerta que  se trata de  um “problema real de procura, mobilidade e orientação estratégica”. 

A associação alega que a instabilidade na gestão do turismo, a menor oferta de voos e a falta de estratégia pública estão a piorar a situação. A ALA exige medidas urgentes, como estratégia aérea transparente, promoção reforçada e coordenação entre Governo e setor privado, para evitar quebras de tesouraria, perda de empregos e encerramento de unidades antes da época alta.

PUB

Premium

Brampton prepara-se para receber uma réplica das Portas da Cidade de Ponta Delgada, projetada para integrar o espaço junto à Igreja de Nossa Senhora de Fátima e servir como símbolo da história e da cultura açoriana, com inauguração prevista para setembro, por ocasião das celebrações do 20.º aniversário das festas do Senhor Santo Cristo