Açores evocam escritor Vitorino Nemésio nos 125 anos do seu nascimento

Vitorino Nemésio, que se notabilizou com a obra “Mau Tempo no Canal”, é evocado, nos Açores, no ano em que se assinalam 125 anos do seu nascimento, e em que a sua obra está a ser republicada.



Esta noite, o escritor será evocado no lançamento de um selo e de um bilhete-postal, iniciativa promovida pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, na ilha Terceira, numa sessão que contempla também uma mostra evocativa da sua vida, na Casa Vitorino Nemésio, onde nasceu.

A reedição da sua obra, em curso, numa iniciativa da editora Companhia das Ilhas, em parceria com a Imprensa Nacional - Casa da Moeda, compreendia inicialmente 16 títulos, mas este número foi atualizado para 20, como disse à Lusa o editor Carlos Alberto Machado.

Este responsável pela Companhia das Ilhas considera que Vitorino Nemésio “promoveu de várias maneiras os Açores”, uma vez que “não foi só um grande escritor". "Onde viveu (França, Brasil e continente), por largos períodos da sua vida, foi o maior promotor do arquipélago, da sua identidade específica e um grande defensor da região autónoma, no sentido mais profundo do termo, que não apenas político”.

O escritor, ensaísta e crítico literário Vamberto Freitas defendeu à Lusa a necessidade de se divulgar a obra de Nemésio no ensino secundário, como “talvez a única forma” de o dar a conhecer junto do público mais jovem.

“A única solução era ele fazer parte do currículo escolar. Isso é possível”, afirmou, para ressalvar que Nemésio “é considerado um dos grandes autores da língua portuguesa”.

Vamberto Freitas recorda que, no lançamento da sexta edição do “Mau Tempo no Canal”, o escritor David Mourão-Ferreira disse, no prefácio do livro, assinado por si, que “era um dos grandes romances portugueses do século XX” e um dos “melhores romancistas de sempre, no século XX”.

Fotografias inéditas da infância e correspondência do escritor português Vitorino Nemésio, totalizando cerca de 100 peças, foram, em 2023, doadas por familiares à Biblioteca Luís da Silva Ribeiro, na ilha Terceira, da qual o escritor é natural.

Os herdeiros de um primo de Nemésio entenderam por bem depositar todo este espólio do autor naquela instituição, a par de livros, uma vez que este património apresentava “já sinais visíveis de deterioração”.

O espólio legado, que permite revistar a vida e obra do autor de "O Segredo de Ouro Preto", contempla postais ilustrados, “sobretudo da altura em que Nemésio viajou por França, Bruxelas e Brasil” e os enviava às tias, primas e a uma afilhada, bem como aos próprios país.

Vitorino Nemésio, cuja obra literária compreende, entre outros, o romance "Mau Tempo no Canal", considerado pela crítica literária um dos maiores do século XX em língua portuguesa, nasceu em 19 de dezembro de 1901, na Praia da Vitória, na ilha Terceira, e morreu em Lisboa, em 20 de novembro de 1978.

A sua obra compreende cerca de 40 títulos na área da ficção, poesia, crónica, ensaio e crítica, como “Festa Redonda” (1950), “Nem Toda a Noite a Vida” (1952), “O Pão e a Culpa” (1955), “O Verbo e a Morte” (1959), “O Cavalo Encantado” (1963), “Canto da Véspera” (1966), "Quatro Prisões Debaixo de Armas" (1971) e “Sapateia Açoriana” (1976), além de “Mau Tempo no Canal” (1944).

A Vitorino Nemésio é atribuída a criação do termo “açorianidade”, num artigo sobre a condição histórica, geográfica, social e humana do açoriano, publicado em 1932.

Apesar do seu potencial literário, Vitorino Nemésio ganhou visibilidade nacional através do seu programa semanal, na RTP1, "Se bem me lembro", entre 1969 e 1975.

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