Aeroporto de Lisboa

65 anos marcados por controvérsias e "remendos


 

Lusa / AO online   Economia   14 de Out de 2007, 11:48

A completar 65 anos e a operar acima da sua capacidade, o Aeroporto de Lisboa continua em obras de ampliação, tendo servido no ano passado 12 milhões de passageiros, contra os 10 mil anuais no início da actividade.
    Inaugurado em plena Guerra Mundial, a 15 de Outubro de 1942, com um pequeno voo sobre Lisboa e arredores com o antigo ministro Duarte Pacheco a bordo, o Aeroporto de Lisboa completa esta segunda-feira 65 anos, uma data que será assinalada com uma cerimónia onde serão apresentados os novos os projectos para as áreas comerciais.

    Ponto de passagem de figuras do mundo do espectáculo e da cultura, como o escritor Tenesse Williams, o bailarino Rudolf Nureyev, o músico Paco Ibanez ou a cantora lírica Maria Callas, foi a controvérsia em torno do seu encerramento, em consequência da construção de um novo aeroporto, fora da capital, que o tornou célebre nos últimos anos.

    Depois de três décadas de estudos e polémicas, em 1999, a Ota, a cerca de 50 quilómetros de Lisboa, foi a localização escolhida para receber o novo aeroporto.

    No entanto, o Governo de Durão Barroso não dá prioridade ao projecto e a Ota só renasce quanto José Sócrates chega a primeiro-ministro, depois da opção também ter sido defendida por Santana Lopes.

    O projecto renasce, à semelhança do que acontece com as dúvidas e críticas e, em Junho deste ano, depois da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) ter apresentado ao Presidente da República e ao primeiro-ministro um estudo que apontava Alcochete como a melhor opção para a localização do novo aeroporto de Lisboa, o Governo mandatou o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) fazer um estudo comparativo entre estes dois locais, com o objectivo de saber qual é o melhor para construir a nova infra-estrutura.

    O estudo deverá estar concluído a 12 de Dezembro deste ano, sendo que a decisão final sobre a localização do novo aeroporto será tomada em função dos resultados obtidos por este estudo.

    No entanto, até a decisão da localização ser tomada e até a nova infra-estrutura estar operacional, o que segundo as previsões do Governo deve acontecer em 2017, o aeroporto da Portela vai sofrer obras de ampliação para poder responder a parte do acréscimo de procura.

    As obras, a decorrer nos próximos quatro anos e orçadas em 380 milhões de euros, vão permitir aumentar a capacidade do aeroporto da Portela dos actuais 10 milhões de passageiros/ano para os 16 milhões em 2010 e aumentar a capacidade da pista de 36 para 40 movimentos por hora.

    No final das intervenções, o aeroporto de Lisboa terá 47 portas e embarque (30 das quais 'schengen'), mais 21 que actualmente, e 20 mangas de acesso aos aviões (mais 13), aumentando a capacidade de carga das actuais 80.000 toneladas por ano para 100.000 a 150.000 toneladas por ano.

    No âmbito deste plano de expansão foi inaugurado em Agosto o novo terminal de passageiros do aeroporto de Lisboa, um investimento de 20 milhões de euros, destinado a partidas de voos domésticos operados pela TAP, SATA e Aerocondor, com origem em Lisboa e tendo como destino os aeroportos de Faro, Porto, Bragança, Vila Real, Madeira e Açores.

    Durante os primeiros sete meses deste ano, o aeroporto da Portela registou um crescimento acumulado do número de passageiros de 8,6 por cento, prevendo-se que atinja os 13,3 milhões de passageiros no final de 2007.

    Contudo, e conforme tem afirmado o presidente da ANA - Aeroportos de Portugal, Guilhermino Rodrigues, "tudo o que se faz no aeroporto de Lisboa é um remendo", justificando deste modo os atrasos na entrega e o extravio de bagagens que têm marcado a actividade do aeroporto nos últimos meses.

    Segundo os últimos dados divulgados pela Groundforce, só nos primeiros oito meses deste ano perderam-se mais de 90 mil malas nos aeroportos portugueses, ou seja, mais de 400 por dia.

    Às 90 mil malas perdidas correspondem 8.600 viajantes afectados e que apresentaram reclamações junto da Grounfdforce, que não avançou os números totais correspondentes ao mesmo período do ano passado.

    A comparação só pode ser feita através dos números das reclamações mensais, que atingiram as 3.600 entre Janeiro e Agosto de 2006, aumentando para as 4.000 no mesmo período deste ano.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.