Caso Mari Luz

Zapatero discorda com multa a juiz no caso de Mari Luz

Zapatero  discorda com multa a juiz no caso de Mari Luz

 

Lusa/AO online   Internacional   11 de Set de 2008, 11:30

O primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, manifestou hoje o seu desacordo com a multa de 1.500 euros imposta ao juiz Rafael Tirado pela sua actuação no caso do suspeito da morte da menina Mari Luz Cortés.
Em declarações aos jornalistas à saída do parlamento, Zapatero afirmou que vai falar com o pai da menina, depois da polémica decisão do Conselho Geral do Poder Judicial (CGPJ) que apenas aplicou uma multa ao juiz.

    Rafael Tirado tinha sido alvo de um processo disciplinar porque não ordenou a execução da sentença por abusos sexuais a que tinha sido condenado o principal suspeito da morte da criança de Huelva.

    Santiago Del Valle Garcia, actualmente em prisão preventiva como suspeito da morte de Mari Luz, tinha sido previamente condenado a duas penas de prisão por abusos sexuais a menores, nenhuma das quais foi executada.

    Recorde-se que durante três anos, Tirado não aplicou a execução da sentença permitindo a Del Valle estar em liberdade na altura em que alegadamente assassinou Mari Luz.

    A multa de 1.500 euros aplicada deve-se ao que o CGPJ considera ser “uma falta grave de atraso injustificado na tramitação da causa”.

    Tanto o Ministério Público como o próprio juiz anunciaram já que vão recorrer da multa.

    Mariano Fernández Bermejo, ministro da Justiça diz que ainda é necessário avaliar a resolução do CGPJ mas que “é muito difícil estar de acordo com tão pouca coisa”.

    “Seria bom”, disse, que o Ministério Público recorra da medida, antecipando que “já se está a preparar esse recurso”.

    O advogado de Rafael Tirado, por seu lado, considera que o seu cliente “não está contente, em absoluto”, com a resolução “que não o satisfaz de nenhuma forma”.

    Tirado, disse, “não aceita sequer que se trate de uma falta grave”, considerando que as responsabilidades pelo atraso na tramitação da sentença “é um falhanço colectivo do sistema de execuções penais”.

    Neste caso, disse, escolheu-se uma pessoa como responsável, quando “são muitos”, lamentando o que disse ser “um extremar de opiniões e de condenações”, afirmando que o juiz sempre guardou silêncio por respeito à família de Mari Luz.

    Já o pai da criança, considera a decisão do CGPJ “um golpe contra toda a sociedade espanhola” que deveria ser “imediatamente rectificada”.

    “Este conselho passa à história como o que escreveu a página da história mais negra da sociedade espanhola”, disse Juan José Cortés aos jornalistas em Huelva.

    A decisão do CGPJ – deliberada por três votos contra dois – rejeita o pedido da procuradoria que considerou que os factos constituíram uma “falta de atenção muito grave” pelo que o juiz deveria ser suspenso pelo menos três anos, transferido ou expulso da carreira.

    Mari Luz Cortés desapareceu no dia 13 de Janeiro quando saiu de casa para ir a uma loja próxima, desencadeando uma extensa operação de busca e um movimento de solidariedade alargado com a família.

    O seu corpo foi encontrado no dia 09 de Março e pouco tempo depôs Del Valle foi detido como principal e único suspeito da morte.

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