Vinhos dos Açores querem ser mais conhecidos na América

Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores (IVVA) está a trabalhar numa parceria com a ViniPortugal para dar mais força à promoção internacional dos vinhos dos Açores. Primeira aposta vai ser nos EUA, no Canadá e no Brasil.




O Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores (IVVA) e a ViniPortugal, a associação que promove os vinhos portugueses, vão colaborar no sentido de encontrar novos mercados e reforçar a presença dos vinhos certificados dos Açores no exterior.

Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente do conselho diretivo do IVVA, Cláudio Lopes,  explicou que esta “é uma oportunidade única de valorização e de promoção, colocando os nossos vinhos nos mercados que merecem, dado que os vinhos açorianos são vinhos de gama alta e, portanto, devem ser dirigidos a mercados também muito especiais que os apreciem e que os possam valorizar”.

Reconhecendo que ainda falta escala à exportação dos vinhos dos Açores, o IVVA pretende “abrir novos mercados para os nossos vinhos e consolidar aqueles que já existem”, afirma Cláudio Lopes.

E a primeira aposta vai ser na América do Norte e do Sul. Conforme revela o presidente do conselho diretivo do IVVA, aguarda neste momento aprovação uma candidatura aos fundos comunitários que tem como objetivo a colocação e a promoção dos vinhos certificados dos Açores em mercados como os Estados Unidos da América (EUA), o Canadá e o Brasil.

Uma candidatura que, refere Cláudio Lopes, “é feita em conjunto com um produto agroalimentar de excelência da nossa Região, que é o queijo da ilha de São Jorge que no presente está a ter também algumas dificuldades de escoamento e, portanto, sendo produtos de excelência produzidos na Região, como os nossos vinhos e o queijo de São Jorge, há uma mais-valia na sua promoção conjunta e, portanto, aguardamos com alguma expectativa a aprovação desta candidatura”.

E para Cláudio Lopes, “os vinhos dos Açores deixaram de ser apenas uma curiosidade e são hoje um produto de excelência, reconhecido dentro e fora do país”, pelo que é preciso “reforçar esta capacidade de chegar aos mercados, valorizando o setor vitivinícola, que muito pode contribuir para a economia regional”.

Contudo, esta aposta que se pretende fazer no mercado norte-americano não poderá encontrar entraves na política mais restritiva em relação às importações por parte do atual Governo dos Estados Unidos da América?

“Isso é verdade para todos os setores da economia”, começa por responder o presidente do conselho diretivo do IVVA,  para quem “as dificuldades impostas pela administração americana ao nível das tarifas agravam as dificuldades de escoamento dos nossos produtos, sem dúvida, mas temos que arranjar estratégias para ultrapassar essas dificuldades”.

ViniPortugal nos Açores
A parceria entre o IVVA e a ViniPortugal começou a ganhar forma no final de junho, com a deslocação aos Açores do presidente desta associação, Frederico Falcão, que teve durante dois dias várias reuniões na ilha do Pico, “centradas na identificação das soluções institucionais e do enquadramento jurídico necessários para que os Açores e os agentes económicos do setor vitivinícola regional possam vir a integrar a ViniPortugal e beneficiar das ações de promoção dos vinhos portugueses desenvolvidas por esta entidade nos mercados nacional e internacional”, refere o IVVA em nota de imprensa.

Sobre esta questão, o presidente do conselho diretivo do IVVA, Cláudio Lopes, explicou que para os Açores concretizarem esta parceria com a ViniPortugal, “terá de ser elaborada uma portaria regional, que permita o estabelecimento de uma taxa de promoção que será paga pelos produtores e que lhes permitirá integrar a promoção que é feita pela ViniPortugal”.

Uma portaria que, acredita Cláudio Lopes, deverá estar concretizada até ao final deste ano, para que os vinhos certificados dos Açores possam integrar já em 2027 as ações promocionais da ViniPortugal.

E conforme conclui o presidente do conselho diretivo do IVVA, “as oportunidades que daí podem advir são uma maior facilidade de presença em feiras internacionais, em ações com importadores, em campanhas internacionais e em missões empresariais ou ações dirigidas à imprensa especializada”.

Ações que para Cláudio Lopes, “abrirão certamente as portas para uma melhor colocação dos nossos vinhos açorianos nos mercados mais exigentes e mais competitivos”.

Mais de 100 marcas de vinhos certificados
Os vinhos certificados dos Açores dividem-se pela categoria mais genérica da Identificação Geográfica (IG), que abrange as sete ilhas  produtoras de vinho nos Açores (nas Flores e Corvo não se produz vinho) e pela categoria mais específica e valorizada da Denominação de Origem (DO), que está circunscrita às ilhas do Pico e  Graciosa e à zona dos Biscoitos, na ilha Terceira.

Nestas duas categorias, tem havido um aumento de produtores, de marcas e de referências comerciais nos Açores nos últimos anos.

Atualmente há 35 agentes a certificar vinho nos Açores, prevendo-se que até ao final deste ano este número suba para 38. 

Além disso, explica Cláudio Lopes, “temos 104 marcas comerciais registadas, com 192 referências comerciais, portanto, este é um setor com um crescimento sustentado”.

Os Açores produzem vinhos brancos e tintos, mas também outros tipos de vinho como os licorosos, os rosés e até mais recentemente começaram também já a ser produzidos espumantes nos Açores. 

A maior parte da área de vinha homologada para vinhos certificados dos Açores situa-se na ilha do Pico.

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